A Terra foi palco de diversos períodos de glaciação nos últimos milhões de anos, como a Era do Gelo Donau, que se deu há cerca de 2 milhões de anos, da Günz, por volta de 700 mil anos atrás, da Mindel, há mais ou menos 500 mil anos, da Riss, cerca de 300 mil anos atrás, e da Würm, que ocorreu há uns 150 mil anos. Pois, segundo um estudo recente, pelos menos os últimos três períodos de frio no planeta parecem ter sido causados por fortes colisões tectônicas.

Trombadas

De acordo com Stephen Luntz, do site IFLScience!, a pesquisa foi conduzida por cientistas do MIT – Massachusetts Institute of Technology, situado nos EUA –, que concluíram que, quando consideramos o tempo em escalas geológicas, não é a atmosfera que controla o clima do planeta, mas sim a superfície da Terra e o que se encontra sob ela.

(Reprodução / USA Today)

Segundo explicaram os pesquisadores, a maior parte do dióxido de carbono do mundo fica concentrado em reservatórios de petróleo e gás natural, assim como em rochas que absorvem o CO2 da atmosfera. Acontece que, conforme ocorrem os movimentos e choques entre as placas tectônicas, além de imensas quantidades desse composto serem “enterradas” a grandes profundidades no planeta, novas rochas acabam sendo expostas na superfície – onde capturam dióxido de carbono da atmosfera.

Enormes quantidades de CO2 podem, como todos sabem, ser liberadas de volta à superfície durante grandes catástrofes vulcânicas – e até causar extinções em massa, uma vez que o excesso de dióxido de carbono na atmosfera pode provocar a elevação das temperaturas globais e promover a acidificação dos oceanos. Contudo, o processo inverso também pode acontecer, quando a atividade tectônica acaba por “roubar” o CO2 da superfície e, embora ele seja prejudicial em abundância, o gás é necessário para inúmeros processos terrestres.

(Reprodução / IFLScience!)

Na pesquisa, os cientistas do MIT apresentaram evidências de que colisões colossais entre placas tectônicas que ocorreram nas regiões dos trópicos do planeta resultaram na exposição de novas rochas. Mais especificamente, esse novo material exposto seriam basaltos oceânicos, ricos em magnésio e cálcio que, por sua vez, reagiram com o CO2 atmosférico e o “engoliram” – em um processo que coincide com os registros de quedas nas temperaturas globais e ocorrência de períodos de glaciação.