Entre as doenças sem curas que existem, o Ebola é uma das mais temidas: a mortalidade pode chegar a até 90% dos pacientes, dependendo da cepa do vírus que ela possui. A evolução do quadro é rápida, e a transmissão ocorre entre humanos através da saliva, do sangue, das lágrimas, do suor e do sêmen. O contágio pode acontecer até mesmo com o contato de humanos com cadávares ou animais contaminados.

Desde 1976, quando o primeiro surto de Ebola atingiu a África, cientistas trabalham em uma cura ou vacina. Ela ainda não existe, mas os resultados de uma nova vacina podem mudar esse cenário: ela atingiu até 97,5% de eficácia. Os testes ocorreram na República Democrática do Congo (RDC), onde um recente surto de Ebola já vitimou 874 mortes entre os 1340 casos da doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 90 mil pessoas foram vacinadas entre maio de 2018 e março de 2019. Destas, 29 mil eram profissionais da saúde, que mais estavam expostos ao vírus. As outras eram pessoas que moravam em aldeias com pessoas infectadas ou próximas a áreas de risco.

90 mil pessoas foram vacinadas na República Democrática do Congo com a nova vacina (Foto: Wikimedia Commons)

Nesse período, a OMS contabilizou 880 casos do Ebola no país em pessoas não imunizadas. Já entre as que receberam a vacina, apenas 71 se contaminaram com o vírus. “A estratágia da vacinação em anel da vacina rVSV-ZEBOV-GP deve contribuir para o fim do atual surto de Ebola na RDC e para controlar futuros surtos de formas mais rápida e eficaz”, dizem os cientistas.

O maior desafio agora é conscientizar a população que, segundos estudos, nega a existência de um surto de Ebola no país e não acredita na medicina. Cresce, também, o contágio em regiões de fronteira com Ruanda, Uganda e Sudão do Sul, necessitando uma distribuição mais rápida da vacina nessas localidades.