Um glaciar ao norte da Rússia parece estar morrendo dramaticamente diante dos olhos incrédulos dos cientistas, e agora dos nossos também

Entre 1985 e 2013, imagens de satélite do programa Landsat mostravam que o Glaciar de Vavilov deslizava em ritmo lento e aparentemente estável. Estabilidade que foi colocada em cheque em 2013, quando glaciologistas começaram a notar que a geleira estava se movendo dezenas de vezes mais rápido que o padrão.

 Imagem: Earth Observatory - NASA

Tal magnitude de perda de gelo é especialmente incomum porque o Glaciar de Vavilov é categorizado como geleira de base fria, ou seja, localizada num deserto polar de alta latitude, raramente afetada por chuva. Isso faz com que se mova apenas poucos metros por ano, segundo o NASA Earth Observatory.

TRANSFORMAÇÃO RADICAL

São esperadas mudanças de tamanho e forma das geleiras num processo natural, mas o que os pesquisadores estão observando nesse caso é algo sem precedentes. A velocidade com que o glaciar se move leva à suspeita de que a água sob sua base esteja subindo, fazendo com que ele se torne mais suscetível ao aquecimento das temperaturas globais.

"O fato de que uma aparentemente estável geleira de base fria, repentinamente, passe a se mover de 20 metros por ano a 20 metros por dia é extremamente incomum, talvez em precedentes", afirma Michael Willis, glaciologista da University of Colorado Boulder. Segundo ele "os números estão simplementes malucos. Antes disso acontecer, até onde eu sei, geleiras de base fria simplesmente não faziam isso".

A equipe de pesquisadores comandada por Willis estudou o Glaciar de Vavilov no ano passado, evidenciando sua escala de derretimento. Nas três décadas anteriores a 2013, a perda foi de apenas alguns metros, já entre os anos de 2015 e 2016 o glaciar reduziu aproximadamente 100 metros, gerando volume suficiente para cobrir Manhattan sob 75 metros  de água. A dimensão disso é gigantesca!

UM NOVO PADRÃO

Como apontam os pesquisadores, a situação de Vavilov evidencia que outras geleiras de base fria, em regiões polares, como Antártida e Groenlândia, poderiam estar mas vulneráveis às mudanças climáticas do que os modelos climáticos anteriores previam. Fato que talvez obrigue os cientistas a reavaliarem alguns parâmetros válidos até aqui para esse tipo de cenário.