Recentemente a minissérie Chernobyl, do canal HBO, foi sucesso de audiência por retratar o pior acidente nuclear da história da humanidade. Além de ter causado alvoroço no mundo cinematográfico e até mesmo nas relações entre Estados Unidos e Rússia, a série também trouxe o assunto sobre energia nuclear para as pautas de conversas, do jornalismo e da internet.

No final de agosto, o anúncio de que a Rússia lançaria uma usina nuclear flutuante tomou conta dos principais jornais ao redor do mundo. A ideia de lançar um navio carregado com dois reatores nucleares, mesmo mecanismo que se rompeu causando o acidente em 1986, já é chamado por ambientalistas de “Chernobyl Flutuante”.

O navio Akademik Lomonosov saiu do noroeste da Rússia para uma viagem de 5.000 quilômetros pelo Ártico, levando a carga de 70 megawatts a bordo (35 megawatts por reator). Esse trajeto só deve ser concluído entre três a seis semanas, dependendo das condições climáticas. De acordo com a empresa responsável pela usina navegante, o objetivo é levar energia para povoados distantes que abrigam empresas que trabalham na extração de pedras preciosas.

Perigo à vista?

Enquanto o projeto provoca a ira de ambientalistas que, além de darem o apelido de Chernobyl Flutuante para o navio, também passaram a se referir a embarcação como Titanic Nuclear, os responsáveis pela usina garantem que não existe nenhum perigo. Segundo eles, o método de levar os reatores pelo mar, causa menos impacto ao meio ambiente de diminuir o uso de carvão, pois vai permitir uma geração de energia com menos óleo e carvão. 

A empresa admitiu, porém, que usará essa primeira viagem para tentar vender os reatores para outros países. O “Chernobyl Flutuante” mede 144 metros de comprimento e pesa mais de 21 mil toneladas. O tamanho faz com que a embarcação atinja no máximo 8,3 km/h e demore para chegar ao destino final.

Em alerta

O Greenpeace é uma das entidades ambientais de olho e contrário ao projeto. Por se tratar de um trajeto onde acontecem muitas tempestades, o receio é de que uma colisão com outros navios, que auxiliam no reboque da usina flutuante. Isso poderia ocasionar um acidente de proporções parecidas com o que aconteceu em 86.

33 anos após o acidente em Chernobyl, estima-se que mais de 4 mil pessoas morreram em decorrência da contaminação e outras mais de 27 mil tenham desenvolvidos doenças em consequência da exposição direta ou hereditária.