Passando sobre nossas cabeças há, contatos e identificados, 19.524 detritos espaciais na órbita da Terra. Os dados são do Escritório do Programa Orbital Remains da NASA. No caminho para o espaço sideral, porém, existem 750 mil objetos com tamanhos entre 1 cm e 10 cm orbitando a Terra e mais de 166 milhões de 1 mm a 1 cm, todos viajando a 40 mil quilômetros por hora.

Nos últimos 15 anos, segundo dados da Agência Espacial Europeia, aproximadamente dois terços de todos os satélites lançados para a órbita geoestacionária (GEO) hoje estão na órbita cemitério, a 300 quilômetros acima de onde transmitem. A órbita GEO tem hoje cerca de 400 satélites ativos, enquanto logo acima descansam 1,5 mil objetos de grandes proporções - de satélites desativados a fragmentos de lixo espacial.

A Rússia continua sendo a que mais emporcalha a órbita da Terra: são dela 6.589 objetos. Logo em seguida, estão os EUA não muito atrás, com 6.581 pedaços de lixo flutuantes. A China tem 4.044; Japão, 290; Índia, 254; e ESA, 145.

a Fonte: ESA

O programa da NASA encarregado de identificar e vigiar os detritos espaciais é a US Space Surveillance Network (SSN). Para dar conta dessa enormidade de detritos, estão sendo desenvolvidas armas para eliminar satélites. Porém, a agência espacial russa, a Roscosmos, deu o alerta sobre um efeito colateral desse tiro ao alvo espacial: o aumento considerável de lixo que circula na órbita baixa da Terra.

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Segundo o diretor do Instituto de Astronomia da Academia Russa de Ciências, Boris Shustov, a quantidade de detritos no espaço pode atingir o limiar da síndrome de Kessler (teoria desenvolvida pelo consultor da NASA Donald J. Kessler), quando a colisão contínua de detritos provoca choques em cascata, aumentando exponencialmente o lixo ao redor do planeta.

Desde a década de 1960, chegam ao espaço 400 novos satélites ao ano. E esse número não vai diminuir. A SpaceX recebeu aprovação para lançar 12 mil novos satélites; a Índia destruiu, em março, um satélite a 300 km da Terra, dentro da Missão Shakti. Se nada for feito, as colisões se tornarão até 25 vezes mais prováveis, o que poderia inviabilizar voos espaciais em um futuro próximo.