Há muito que se aprender com os pais rãs. Isso porque cientistas descobriram que em algumas espécies são eles, os pais, os responsáveis por levarem seus filhotes recém-nascidos para o primeiro banho em uma lagoa. Presença significativa desde o primeiro coachar.

Espécies conhecidas por serem consideradas venenosas foram acompanhadas por cientistas que observaram que esse trajeto para o “primeiro banho” é realizado pelos pais, que aguardam os ovos eclodirem para levar suas pequenas rãs para conhecerem a água.

Para o biólogo Andrius Pašukonis, da Universidade de Stanford, em alguns casos os pais das rãs chegam a percorrer “uma jornada” de mais de 400 metros (se você achar pouco, pense ser um pequeno anfíbio carregando seus filhos recém-nascidos nas costas, literalmente).

O cientista explicou que, para chegar a tal conclusão, ele e sua equipe colocaram pequenos transmissores, como se fossem fraldas, em 11 sapos tóxicos da Guiana Francesa e em outros 7 sapos de três listas no Peru.

Passeio custoso

Apesar do custo de energia e do maior risco de encontrar predadores, os pesquisadores explicam que levar as jovens rãs para piscinas distantes pode oferecer benefícios evolutivos, como diminuição do risco de endogamia — quando ocorre acasalamento entre indivíduos da mesma família — e menor competição por recursos. No entanto, a neurobióloga Sabrina Burmeister — que estuda a cognição de sapos venenosos, mas não participou da nova pesquisa — ressalta que é difícil dizer o que exatamente motiva os sapos a irem mais longe.

Segundo ela, a pesquisa vai ajudar a proteger as espécies de rã da extinção, já que é fundamental conhecer seus hábitos e habitats que escolhem para se desenvolver.

Pai levando seus pequenos para um banho de lagoa. (Fonte: Scientific American/Reprodução)