Uma única picada de um carrapato pode desencadear uma alergia à carne vermelha que dura a vida toda. Esse bizarro efeito colateral já é conhecido pela comunidade científica, mas agora pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, deram mais um passo para compreender o mecanismo que transforma um carnívoro em um vegetariano.

O carrapato estrela solitária é encontrado especialmente no leste dos Estados Unidos e do México. O animal se alimenta do sangue de humanos, cervos, pequenos mamíferos e perus selvagens e sua picada é indolor, muitas vezes passando despercebida.

Em algumas pessoas, a consequência é uma alergia à alfa-gal, um carboidrato encontrado na maioria das membranas celulares de mamíferos.  A pessoa afetada não pode mais comer carne bovina, de porco, de cordeiro e também não pode mais ingerir laticínios. Carne de frango e peixe podem continuar fazendo parte da alimentação.

O carrapato estrela solitária pode causar alergia à carne vermelha em seus hospedeiros. (Fonte: James Gathany / CDC)

O autor do estudo, Loren Erickson, explicou em comunicado que ainda não se sabe o que causa a alergia. "Não há como prevenir ou curar essa alergia alimentar, por isso precisamos primeiro entender o mecanismo subjacente que desencadeia a alergia para que possamos conceber uma nova terapia".

Causas da alergia

A equipe da Universidade da Virgínia modificou geneticamente alguns camundongos para torná-los deficiente em alga-gal e descobriu que a resposta imune à esse carboidrato estava associada a um grande número de uma forma distinta de células B, um tipo de célula imune.

Ainda não está claro como apenas uma picada superficial na pele pode levar a uma perda de tolerância à alfa-gal no intestino e porque essa alergia surge em apenas algumas pessoas, mas em outras não. Entretanto, o conhecimento sobre as células B já são um avanço para entender melhor esse mistério e, talvez um dia, desenvolver um tratamento para ele.

"Este é o primeiro modelo clinicamente relevante que conheço, e agora podemos fazer muitas dessas perguntas importantes", avaliou Erickson. "Podemos realmente usar esse modelo para identificar as causas subjacentes da alergia à carne que podem informar estudos em humanos".