Uma zebra de bolinhas é algo que tem o potencial de fazer a internet vir abaixo sobrecarregada de fofura, e foi isso o que a pequenina Tira conseguiu fazer. Atual estrela da Reserva Nacional Masai Mara, no Quênia, a zebrinha, descoberta quando contava com apenas uma semana de vida, tem uma condição genética conhecida como "pseudomelanismo". Isso faz com que o padrão de listras da zebra não seja o usual.

“Zebras são animais de pele escura e suas listras surgem de células especializadas chamadas melanócitos, que transferem a melanina para alguns de seus pelos, que ficam pretos. Pelos sem melanina são brancos. Em raras ocasiões, algo dá errado e a melanina não se manifesta como listras e sim, em outros formatos”, explica a bióloga Brenda Larison, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Califórnia.

Tira foi aceita como qualquer outra zebra; por enquanto, ela ainda conta com a proteção da mãe contra predadores. (Fonte: Instagram/Frank Liu)

aFonte: Instagram/Frank Liu

No início, o guia do parque Antony Tira (o primeiro a observá-la) não acreditou no que viu. “Pensei que fosse uma zebra que havia sido pintada ou marcada para fins de migração. Fiquei confuso quando a vi pela primeira vez”, lembra Tira.

Zebras com padronagens diferentes ou até mesmo de outras cores são raras, mas não incomuns. A editora Natasha Daly, da revista National Geographic, topou com uma zebra dourada no início deste ano, no Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia.

Zoe é o caso mais famoso de leucismo em zebras; essa condição genética produz animais brancos ou dourados com olhos azuis. (Fonte: Thre Rings Ranch/Reprodução)

Animais com as costas completamente marrons ou com bolinhas são vistos na região do Delta do Okavango, em Bostuana, desde 1950. Infelizmente, quase todos eram potros, o que pode fazer com que o futuro de Tira seja incerto. Segundo Brenda Larson, a maioria das zebras com uma coloração incomum não sobrevive por muito tempo. “Embora seja mais difícil para um predador atingir um indivíduo em um grupo, é mais fácil para ele se o animal for diferente”, diz ela.

No Delta do Okavango, zebras com pseudomelanismo são chamadas de "zebras chocolate". (Fonte: Africa Geographic/Michael Fitt)

Mesmo que o bando a proteja, suas bolinhas podem trazer outro problema. Há tempos a ciência debate sobre o papel das listras na sobrevivência das zebras – camuflagem, sinalização social e controle de temperatura são algumas funções aventadas. Atualmente, alguns acreditam que as listras teriam a prosaica tarefa de repelir as moscas.

Na África, esses insetos transmitem doenças fatais para as zebras (como a gripe equina), cuja pele fina as tornam especialmente vulneráveis. As listras teriam como função desorientar as moscas: experimentos em campo mostraram que esses insetos não gostam de pousar em superfícies listradas.