A atmosfera é constante e está sujeita a diferentes dinâmicas, como correntes, circulações e as ondas de gravidade. Satélites meteorológicos são capazes de registar esses eventos que frequentemente acontecem, mas raramente são captados pelos nossos olhos. "Eles são muito, muito comuns, acontecem o tempo todo, mas geralmente são invisíveis", disse o meteorologista sênior do Bureau of Meteorology Adam Morgan.

"Quando os vemos, geralmente é quando há umidade suficiente no ar para formar um pouco de nuvem ao longo da borda principal da onda de gravidade", completou Morgan.

Ondas de gravidade vistas na atmosfera terrestre. (Fonte: Andrew Miskelly/Twitter)
Ondas de gravidade vistas na atmosfera terrestre. (Fonte: Andrew Miskelly/Twitter)

Ondas gravitacionais x Ondas de gravidade

As ondas gravitacionais são distúrbios na curvatura do espaço-tempo e são criados por aceleração maciça. Já as ondas de gravidade, conhecidas também como ondas de flutuação, são considerados um fenômeno físico em que as ondas são geradas em qualquer meio fluido, comparado às ondas no mar. Eles também podem ocorrer em gases, como na nossa atmosfera, e são chamados de ondas de gravidade porque é a força que restaura o equilíbrio.

Registro raro

Na semana passada, 21 de outubro, ondas de gravidade foram registradas por um satélite chinês na Austrália Ocidental. "Houve uma grande tempestade no noroeste da Austrália Ocidental e a perturbação nesse caso foi o ar frio caindo da tempestade e entrando no ar mais quente perto da superfície", segundo o meteorologista.

"A diferença de densidade causa a perturbação e a onda de gravidade pode viajar à medida que o ar frio se espalha. A perturbação existirá até que tudo se reequilibre e é por isso que eles podem percorrer um longo caminho”, afirmou Morgan.
 
Ele coloca que, embora as ondas de gravidade atmosférica possam não representar um perigo no solo, elas podem, sim, criar problemas no ar. "Para aviões voando ao redor, as ondas gravitacionais podem causar um pouco de turbulência e às vezes podem ser turbulências severas, mas para quem está no chão, não há nada severo".