O Projeto West Ford, de autoria do professor Walter E. Morrow, foi criado em 1958 com o objetivo de melhorar a comunicação via ondas de rádio dos militares no período da Guerra Fria. A ideia consistia bilhões de antenas ou dipolos minúsculos de cobre (com 1,78 centímetros de comprimento) — popularmente chamados de agulhas — lançadas ao espaço, ficando na órbita da Terra, sendo usados em sinais de comunicação a 8 Ghz.

No início da década de 1960, auge da Guerra Fria, as comunicações internacionais estavam limitadas a serem feitas em cabos submarinos e por meio de sinais de rádio refletidos na ionosfera. Porém, os cabos poderiam ser cortados a qualquer momento e a segunda opção era bastante imprevisível em termos de instabilidade de componentes químicos. Tudo isso fez com que a força militar procurasse por outra opção para se comunicar.

(Fonte: Pixabay)
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Testes e implicações

Os testes realizados em 1961 e 1963 com o primeiro lançamento de mais de 100 milhões e, o segundo com 350 milhões de agulhas em órbita, possibilitaram a criação de uma superfície artificial na qual os militares poderiam emitir sinais de rádio. O último experimento foi bem-sucedido e bastante promissor, com a comunicação estabelecida usando o conjunto de agulhas da Califórnia a Massachusetts, a cerca de 4,8 mil km. Logo no seu primeiro teste, feito em 1961, o qual não se obteve sucesso, o experimento gerou protestos internacionais, já que astrônomos e cientistas de todo o mundo se posicionaram contra a ideia de lançar meio bilhão de objetos no espaço.

O projeto de Ford funcionou bem durante um bom tempo, porém criou outros problemas como o bloqueio da visão de mísseis. Os satélites tornaram o projeto obsoleto. A maioria das agulhas caiu de volta à terra e está enterrada. No entanto, algumas ainda permanecem no espaço.