Para ajudar no combate ao coronavírus e no reforço ao sistema imunológico humano e, até mesmo, poder prevenir a infecção, um grupo de cientistas de quatro países está estudando a possibilidade do uso das centenárias vacinas BCG, utilizadas em diversos tratamentos de tuberculose, como um medicamento para o vírus. Inicialmente, as pesquisas serão feitas em membros de equipes médicas, que possuem mais riscos de contágio do que o restante da população, e as pessoas mais velhas, que sofrem riscos imediatos de morte.

Inicialmente, as pesquisas serão realizadas nesta semana por uma equipe da Holanda, que testará os medicamentos em um grupo de 1.000 voluntários que receberão vacinas bacilo Calmette & Guérin (BCG) e placebo, distribuídos entre as pessoas.

A conclusão sobre a utilização da vacina BCG veio após conclusões em um estudo publicado em 2015, onde os pesquisadores Peter Aaby e Christine Stabell Benn, de Guiné-Bissau, afirmaram que a BCG pode ter as mesmas habilidades de diversas outras vacinas para o combate do patógeno, prevenindo cerca de 30% das infecções, incluindo virais. Apesar da baixa credibilidade que o estudo obteve na época, membros da Associação do BCG esclareceram que seriam necessários testes de comprovação.

(Fonte:Bigstock/Reprodução)(Fonte:Bigstock/Reprodução)

E foi visando a credibilidade que os mesmos cientistas publicaram, já em 2018, uma nova tese reportando que a vacina da tuberculose tem potencial para proteger de doenças virais, como a febre amarela. Dessa forma, após os avanços de diversos grupos sobre a importante função que o BCG tem no fortalecimento do sistema imunológico, os médicos não escondem o entusiasmo em participar dessa nova iniciativa, agora ajudando no combate contra o coronavírus.

Sobre a vacina BCG

Composta pelo bacilo de Calmette & Guérin, a vacina é essencial no tratamento de tuberculose e deve ser aplicada logo após o nascimento, de forma preventiva. O medicamento é responsável por dar uma alternativa ao organismo, caso falhe em combater os corpos estranhos que estão invadindo-o.

Assim, a vacina fornece defesa para o sistema através da ativação de anticorpos específicos das células T e B, além de estimular as células naturais por um tempo mais prolongado. Dessa forma, o combate contra vírus e bactéria forma, no organismo, uma memória de defesa, que vai estar sempre de prontidão caso os mesmos inimigos voltem a ataca-lo.