Cerca de um ano atrás, Sheperd Doeleman, diretor do Event Horizon Telescope (EHT), conseguiu registrar um dos feitos mais marcantes da história, ao fotografar, com nitidez, um buraco negro. O feito, que ocorreu em colaboração com inúmeros cientistas ao redor do mundo, caracterizou um passo importante para o avanço nos estudos astronômicos, e já vem colhendo os resultados de seus estudos.

Andrew Strominger, físico teórico da Universidade de Harvard, vem trabalhando incansavelmente, junto a uma vasta equipe de cientistas, para compreender melhor o fenômeno e, através da imagem, conseguir investigar, com os mais diversos recursos tecnológicos disponibilizados pelo EHT, as principais particularidades dos buracos negros e poder aplicar as leis da gravidade para compreender seus princípios.

E foi a partir desses estudos que o grupo interdisciplinar conseguiu observar que, ao redor do buraco negro, inúmeros reflexos de luz movimentavam-se periodicamente em padrões confusos, influenciando diretamente nos raios luminosos e conseguindo, em suas devidas proporções, dobrá-los. "Buracos negros, eles são apenas o melhor em tudo o que fazem", disse Alex Lupasca, um dos teóricos que estava à frente do projeto.

(Fonte: CC0 Domínio Público/Reprodução)(Fonte: CC0 Domínio Público/Reprodução)

Segundo a Lei da Relatividade Geral de Einstein, os buracos negros, como objetos extremamente densos, tem um enorme potencial de atração cósmica, permitindo a captura de partículas de luzes reais que, diferentemente de outros copos absorvidos pelo fenômeno, que perdem-se eternamente em seu interior, ficam dando voltas no entorno dos buracos, caracterizando a natureza distorcida do espaço-tempo. Quanto mais próximos os raios encontram-se do buraco, maior sua tendência de dar voltas e escapar para o espaço, podendo formar um número infinito de imagens determinada pela infinitude de raios luminosos que se projetam na órbita do fenômeno.

Apesar das novas conclusões, tudo indica que, por enquanto, o EHT já alcançou seu limite de projeção, não podendo ver mais além do que foi visto. Espera-se que, com um tempo, um novo satélite seja instalado na órbita terrestre, funcionando como um observatório celestial e permitindo a expansão do alcance do telescópio. Caso ocorra sucesso em tal missão, o evento será a primeira vez que um objeto com uma gravidade tão imensa como um buraco negro poderá ser observado com clareza, oferecendo resultados mais objetivos para seu estudo e para o desenvolvimento das leis da física.