Imagine um planeta situado tão próximo de sua estrela que a força exercida pela gravidade dela sobre ele é tão poderosa a ponto de alterar o seu formato, deixando-o parecido com uma bola de futebol americano! Pois ele existe e tem até nome: trata-se do KOI-1843.03, um exoplaneta com período orbital de apenas 4,25 horas.

Apesar de estar sendo alvo de estudos mais profundos só agora, o KOI-1843.03 já era conhecido desde 2013, quando sua descoberta foi anunciada oficialmente.

Concepção artística do exoplaneta. (Fonte: NASA, ESA e J. Olmsted (STScI))Concepção artística do exoplaneta. (Fonte: NASA, ESA e J. Olmsted (STScI))

Formato bizarro

Desde a descoberta do KOI-1843.03, os cientistas tentam compreender algumas de suas características fundamentais. Por exemplo, sua composição e o que, de fato, faz com que esse formato pouco convencional seja possível.

De acordo com os estudos mais recentes, uma explicação para esse tipo de comportamento tem relação com a posição em que o planeta se encontra. Neste caso, por estar tão perto da sua estrela, uma anã vermelha, apenas um dos lados do planeta permanece voltado para ela e, por isso, sofre mais com a força gravitacional.

Essas forças atuam no exoplaneta criando um efeito de força de maré, da mesma forma que Lua faz com o mar na Terra. A diferença é que em KOI-1843.03, toda sua estrutura é, constantemente, esmagada e esticada.

Leslie Rogers, astrofísica da Universidade de Chicago e uma das líderes da equipe de pesquisadores por trás dos estudos mais recentes, indica que quando um planeta fica tão próximo da sua estrela esse tipo de ação provocada pela força gravitacional pode ser tão forte a ponto de ele ser rasgado e destruído.

Então, o que explica a existência do KOI-1843.03?

De acordo com a pesquisa de Leslie Rogers, o exoplaneta deve ter sua estrutura composta praticamente só de ferro. Somente assim seria possível sobreviver às forças gravitacionais dada sua proximidade com uma estrela.

Em estudos anteriores, os pesquisadores chegaram à conclusão que o planeta deve ter, no mínimo, 66% de ferro em sua composição. A título de curiosidade, Mercúrio conta com uma concentração de 70% desse elemento.

Vale lembrar que, apesar de curiosos e bizarros, esses planetas extremos são considerados verdadeiros laboratórios cósmicos. Nesse caso, pode ser uma ótima oportunidade para entender como objetos tão próximos de suas estrelas perdem sua atmosfera e como aqueles compostos por ferro se comportam.

Além disso, há o fato de que estamos acostumados a procurar e estudar planetas com períodos orbitais de dias e não de horas, como é em KOI-1843.03.