Adquirido em 1878 por Wilhelm Froehner, ex-curador do Museu do Louvre, em Paris, a Tábua de Nazaré, popularmente conhecida como Inscrição de Nazaré, pode ter ganhado uma reviravolta total em suas origens, antes relacionadas diretamente com a história de Jesus, supostamente funcionando como um alerta para afastar ladrões de sepulturas após o desaparecimento do filho de Deus.

Uma nova evidência descoberta por Kyle Harper, investigador da Universidade de Oklahoma, indica que a origem do item, na verdade, está relacionada com o imperador grego Nikias, tirano da ilha grega de Kos durante os anos 30 a.C., que teve sua sepultura profanada após sua morte, fazendo com que o imperador romano Augusto criasse a tábua “para estabelecer a lei e a ordem no Mediterrâneo Oriental nos anos a seguir após a derrota de Marco Antônio e de Cleópatra na Batalha de Áccio”.

(Fonte: Alamy Stock Photo/Reprodução)(Fonte: Alamy Stock Photo/Reprodução)

Após a extração de um pedaço do artefato, os estudiosos não conseguiram encontrar quaisquer tipos de relação com o material do Oriente Médio, mas encontraram evidências claras que o ligavam à geologia da ilha de Kos. “O mármore estava muito ligado ao cristianismo porque Nazaré não é conhecida por mais nada a não ser Jesus de Nazaré. Andei fascinado com este mistério vários anos e, por isso, quis juntar-me a outros cientistas para usar a análise geoquímica para desvendar as origens da pedra”, esclareceu o pesquisador, em entrevista ao Newsweek.

Com cerca de 2 mil anos de idade e 60 centímetros de altura, a placa de mármore era conhecida como uma das maiores evidências do cristianismo, onde há um “Édito de César” transcrito que ameaça as pessoas a se afastarem de sepulturas. Porém, mesmo que ainda não haja 100% de certeza sobre sua procedência, já é possível negar, de certa forma, sua relação com a antiga fé cristã.

Uma outra visão dos fatos

Já o arqueólogo Robert Tykot, da Universidade do Sul da Flórida, acredita fielmente que a origem da 'Inscrição de Nazaré' pode ter uma origem muito mais "malandra" do que a proposta pelos estudiosos, considerando que possa ter sido forjada por um negociador mal intencionado que inventou uma história sobre a tábua, convencendo o falecido curador do Louvre a carregá-la até o local e deixar à mostra como sendo uma relíquia verdadeira.