Pesquisadores afirmaram recentemente que pode haver uma grande quantidade de asteroides escondidos no nosso Sistema Solar. A hipótese ocorreu em uma nova pesquisa onde o foco principal são os objetos conhecidos como centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Júpiter.

Com órbitas um tanto imprevisíveis, onde simulações indicam que eles deveriam bater nas coisas e até mesmo voar para fora do Sistema Solar, os centauros intrigam os cientistas. Segundo os pesquisadores, eles foram "roubados" pelo Sistema Solar quando este ainda era muito jovem. Com pouco espaço de expansão sob o cinturão do Universo, as estrelas se encontravam mais próximas, fazendo com que eles batessem em tudo à sua volta.

De acordo com o principal autor do estudo, Fathi Namouni, astrônomo do Observatório da Costa de França, "a proximidade das estrelas significava que eles sentiam a gravidade um do outro muito mais forte do que hoje". Segundo ao astrônomo, esse foi o grande motivo que permitiu que os asteroides fossem transferidos de um sistema solar para outro.

Asteroide MathildeAsteroide Mathilde

A nova pesquisa busca compreender a permanência dos objetos intrusos no sistema solar

Com o uso de um programa computadorizado, os cientistas fizeram o clone de 21 objetos estranhos e os colocaram no Sistema Solar externo. A grande maioria dos objetos clonados centenas de vezes foram centauros e outras rochas estelares. A ideia era compreender como esses objetos se comportam e quais seriam os cenários ideais para que saltassem de um sistema para outro.

A nova pesquisa sugeriu que as órbitas firmes dos centauros nasceram além do nosso sistema, mas acabaram presas aqui. Em diversos anos de pesquisas, os cientistas sempre levantaram a hipótese de que os esses estranhos objetos se movimentam entre sistemas diferentes. Os primeiros intrusos que confirmaram suas hipóteses foram o Oumuamua e o cometa Borisov.

Ambos apenas tiveram uma passagem rápida pelo nosso Sistema Solar sem que fossem atingidos pela gravidade do nosso Sol. Portanto, a nova pesquisa teria feito os cientistas iniciarem uma nova hipótese, onde asteroides iniciais podem ter maiores chances de entrar nos sistemas solares e permanecerem presos, pois nos períodos iniciais do Sistema Solar, com 4 bilhões de anos a menos de expansão, as matérias se encontravam mais próximas.

Os estudos de asteroides intrusos são muito importantes para que a ciência possa compreender seus efeitos. "A descoberta de toda uma população de asteroides de origem interestelar é um passo importante para entender as semelhanças e diferenças físicas e químicas entre os asteroides nascidos no sistema solar e asteroides interestelares", menciona a co-autora do estudo, Maria Helena Morais, astrônoma da Universidade Estadual Paulista no Brasil.