A Farmacore, empresa de biotecnologia sediada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, está otimista com relação à sua pesquisa da vacina para combater a covid-19. Em um cenário favorável à sua execução efetiva, a vacina poderia começar a ser produzida até julho do próximo ano. Mas tudo isso ainda depende de investimentos que giram em torno de cerca de US$ 2 milhões, cerca de R$ 10,7 milhões, somente na fase de testes em humanos. A empresa, até o presente momento, só possui recursos que fomentariam a pesquisa sendo testada em animais.

No entanto, para garantir que o poder público possa participar nessa questão, a empresa entrou em contato recentemente com o Ministério da Saúde e o da Ciência e Tecnologia, com a colaboração da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi). A ideia é articular com os ministérios para conseguir a verba necessária para a pesquisa ou encontrar um meio de conseguir outros tipos de investimentos. As negociações, por enquanto, estão estagnadas e ainda não tiveram novidades.

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Célio Lopes, consultor científico da Farmacore e professor titular de Imunologia da USP de Ribeirão Preto, explicou que a Moderna, empresa norte-americana do mesmo segmento, recebeu subsídio governamental em um valor bastante alto e que o apoio que sua empresa busca é muito menor em escala comparativa. “É uma briga de Davi e Golias. Com US$ 2 milhões, a gente terminaria todos os testes clínicos, o que é barato. Se a gente tem o tiro certo, pode competir com as grandes empresas", afirmou.

Investimentos necessários

O professor de imunologia também ressaltou que investidores se interessaram pelo projeto da vacina, mas que preferiram aguardar novos resultados para que possa de fato apoiar a pesquisa. Para Lopes, o investimento por parte do governo seria fundamental e ajudaria nessa fase muito importante do processo, mas com o jogo de cadeiras no Ministério da Saúde, as conversas ficaram prejudicadas.

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"Já tivemos contatos com o Ministério da Saúde, mas mudam o ministro toda hora, aí fica difícil. Perdemos interlocução duas vezes. Agora, estamos com o Ministério de Ciência e Tecnologia para ver se a gente consegue esses recursos para andar um pouco. Se conseguir, acho que em setembro ou outubro estaríamos começando o ensaio clínico propriamente dito", disse Lopes com certa expectativa de alguma resolução no impasse.

"Se notarmos que a vacina é realmente boa, já tem empresas interessadas em adquirir a tecnologia. O nosso gargalo agora é essa questão financeira", especulou o especialista.

O Ministério da Saúde, por meio de uma nota, afirmou que está ciente de todas as vacinas em curso no Brasil e que acompanha todas elas a partir de um levantamento contínuo. O Ministério ainda garantiu que está em processo de articulação com instituições responsáveis por vacinas em desenvolvimento no mundo todo.