Pesquisadores da Cambridge University descobriram que a hélice dupla do DNA (onde toda a informação genética dos seres vivos está guardada) pode dobrar sobre si mesma, formando uma cadeia quádrupla (DNA G-quadruplexes, ou G4s) estável em células humanas saudáveis. Ela já havia sido identificada apenas em células cancerígenas e em experimentos de laboratório.

G4s são estruturas que se formam brevemente dentro das células.G4s são estruturas que se formam brevemente dentro das células.

Essa estrutura só é possível por causa de uma das quatro bases hidrogenadas – a guanina, que, juntamente com a citosina, a adenina e a timina, une as duas fitas de polinucleotídeos, formando os degraus da “escada”. A dobradura acontece quando a guanina se liga a si mesma, criando uma estrutura semelhante a um quadrado.

Para visualizar o rearranjo, a equipe anexou um novo tipo de marcador fluorescente ao DNA de células vivas. Antes, para ver a formação do DNA quádruplo era necessário matar as células ou, ainda, usar altas concentrações de sondas químicas – porém, isso fazia com que estas se inserissem no DNA, interrompendo-o e causando a formação de G4s (e não a observando se formar naturalmente).

Um dos coautores do estudo e responsável pelo desenvolvimento da nova técnica, o biofísico da University of Leeds Aleks Ponjavic, explica que “a sonda se liga à G4 por apenas milissegundos sem afetar sua estabilidade, o que nos permite estudar o comportamento do DNA sem influência externa e entender seu papel biológico”.

Novas terapias contra o câncer

As G4s se formariam para manter a molécula aberta, facilitando a leitura do código genético na formação do RNA e, consequentemente, a produção de proteínas e a quantidade de cada uma. Essa função é desempenhada normalmente por marcadores químicos no DNA, cujo papel é aumentar ou diminuir a atividade dos genes. A estrutura quádrupla do DNA teria papel semelhante.

G4s foram identificadas anteriormente em células cancerosas, como no caso acima.G4s foram identificadas anteriormente em células cancerosas, como no caso acima.

"Essa descoberta nos força a repensar a biologia do DNA e pode melhorar nossa compreensão de como o material genético divulga suas informações. É uma nova área, com potencial para abrir caminhos no diagnóstico e na terapia de doenças como o câncer”, diz o cientista molecular Marco Di Antonio, pesquisador do Imperial College e principal autor do estudo publicado agora na revista Nature Chemistry.

Para os pesquisadores, a técnica vai permitir que as G4s encontradas em células de tumores sejam rastreadas, determinando seu papel na expressão da doença e revelando novos alvos para terapias e medicamentos que interrompam o processo.

DNA de cadeia quádrupla abre caminho para terapia contra o câncer via TecMundo