Se você é daquelas pessoas que nunca teve o dedo sangrando depois de roer demais uma unha, sorte a sua! Entretanto, muita gente permanece com esse hábito pavoroso (inclusive eu), e a ciência tenta entender os motivos que levam as pessoas a isso. Estima-se que entre 20 e 30% da população rói as unhas, sendo que entre os adolescentes essa taxa é de até 45%!

Existem diversos motivos que podem explicar esse vício, como nervosismo, ansiedade, tédio, frustração, concentração, fome e até o pior de todos: prazer. Sim! Você pode não acreditar, mas muita gente rói as unhas por achar isso gostoso. A psiquiatra Tracy Fosse, da Universidade da Califórnia, que também possui esse vício, explica que não se sente nem um pouco mais relaxada quando está mastigando os dedos.

Segunda Tracy, um estudo com animais mostra que o prazer em roer unhas pode, sim, existir. Em ratos que recebem altas doses de endorfina, existe uma diminuição na incidência de roedores de unhas. Quando essas substâncias eram cortadas, os animais voltavam ao hábito, sugerindo que uma ligação do vício com o prazer. Isso poderia explicar, também, por que algumas pessoas roem suas unhas em situações de estresse ou de concentração: ao canalizar a tensão em algo prazeroso, isso ajuda a enfrentar os próprios problemas.

Roer unhas causa sensação prazerosa em algumas pessoas

Perfeccionismo e genética

Para Kieron O’Connor, professor de psiquiatria da Universidade de Montreal, o hábito de roer as unhas pode estar ligado ao perfeccionismo. As pessoas que se irritam facilmente aderem ao vício como forma de canalizar o tédio e a frustação.

Porém, a dermatologista Sheri Lipner acredita que fatores genéticos podem estar por trás do hábito de roer as unhas. Segundo ela, 1 em cada 3 roedores possui histórico familiar. Já um estudo com gêmeos mostrou que se um deles roía as unhas era muito provável que o outro também fizesse isso.

Ainda não se sabe o que leva as pessoas a iniciarem com esse costume. Acredita-se que as crianças desenvolvem o hábito porque o córtex pré-frontal do cérebro ainda está em desenvolvimento, e isso faz com que as pressões sociais não as afetem tanto quanto em adultos. Talvez por isso, também, que muitas consigam largar o vício depois de adultas.

1/3 dos roedores possui algum parente que também rói as unhas

TOC

Em 2012, a Associação Americana de Psiquiatria incluiu o hábito de roer unhas como um sintoma do TOC – o transtorno obsessivo-compulsivo. Além dele, outros comportamentos repetitivos ligados à higiene também entraram na lista de TOCs, como cutucar a pele ou ficar mexendo nos cabelos.

Muitos psiquiatras não concordaram com essa classificação, já que o TOC é uma obsessão ligada à ansiedade, enquanto roer as unhas pode ter outras motivações. Isso não impede, é claro, que roedores de unha tenham transtornos de ansiedade ou de déficit de atenção, por exemplo.

Crianças normalmente roem as unhas pois a parte do cérebro ligada a comportamentos sociais ainda não está completamente desenvolvida

Problemas de saúde e como parar de roer as unhas

Manter o hábito de roer unhas não é nada saudável: além de poder causar problemas nos dentes e na mandíbula, outras doenças podem ser incitadas por esse hábito nojento. As unhas são cheias de bactérias, que podem causar reações gastrointestinais bem desconfortáveis.

Sem contar que a própria boca é o lar de inúmeras bactérias que podem causar infecções nada agradáveis nas suas unhas. Outras doenças, como a herpes, podem achar um “caminho” de transmissão mais eficaz se você não consegue tirar o dedo da boca.

E como parar? Bem, existem várias técnicas, desde esmaltes que deixam as unhas com um gosto horrível até um aparelho que dá choque quando você coloca a mão na boca. Algumas pessoas tentam diminuir o costume usando luvas ou band-aids nas unhas. Já técnicas de meditação e relaxamento podem ajudar pessoas ansiosas que roem os dedos.

Pare enquanto é tempo!

*Publicado em 21/11/2016