Como seres humanos, nós vivemos em sociedades que possuem um aspecto um tanto quanto comum: o alto grau de criticismo. O julgamento alheio é algo relativamente normal de ser feito e para muitas pessoas é fácil observar os pontos negativos dos outros, mas muitos desses indivíduos simplesmente se esquecem de trabalhar os seus próprios defeitos. O julgamento superficial das pessoas é composto por inúmeros tipos de críticas, que envolvem o estilo de se vestir, as músicas que ouve, o curso que escolheu estudar, entre tantas outras escolhas ou condições.

Criticar em si não é algo ruim, desde que o intuito seja construtivo e não simplesmente recriminatório. O poder do criticismo já é estudado de diferentes modos, já que suas manifestações são variadas, como frases pejorativas no ambiente de trabalho ou sermões em salas de aula direcionados para alunos específicos. O ruim é que muitas vezes as críticas negativas possuem um impacto mais forte do que os elogios, pois muitas pessoas tendem a se focar mais nos aspectos negativos do que nos positivos. E por que isso ocorre?

Críticas boas e ruins e as consequências que elas trazem

Como já mencionamos, se as críticas forem ditas construtivamente elas podem ajudar no desenvolvimento das pessoas. Inclusive, existem estudos que comprovam que tanto os elogios em excesso como as críticas podem ser prejudiciais para qualquer um, já que ambos afetam o jeito como nós nos percebemos. E é aí que o peso do negativismo parece ser maior.

De acordo com o artigo do jornal britânico The Guardian, pesquisadores já sugeriram que existe um viés neurológico que dá mais importância às coisas negativas do que às positivas. “Nós evoluímos para responder rapidamente e intensamente aos estímulos negativos. Há milhares de anos, estímulos negativos eram sinônimos de morte, então, quanto mais rápido você os absorvesse, melhores eram suas chances de sobreviver”, diz um dos pesquisadores. Por mais que hoje nosso cérebro seja mais sofisticado, parece que esse comportamento se manteve intacto.

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Outros pesquisadores afirmam que por natureza todos nós seres humanos somos egocêntricos. Portanto, enxergamos os outros de acordo com as nossas opiniões e experiências e, se somos legais com alguém, é porque desejamos que esse alguém também seja simpático conosco de algum modo. Sendo assim, quando recebemos críticas sem as termos feito inicialmente, levamos isso muito mais em consideração do que se fossem simples elogios.

Certas teorias também apontam que as críticas negativas possuem um peso maior para nós porque representam algo novo. Calma aí, já explicamos melhor. Em muitas sociedades, inclusive no Brasil, é considerado algo rude criticar alguém publicamente, ao passo que realizar elogios de incentivo é tido como algo normal e estimulante. Quando recebemos críticas ruins abertamente, elas causam um impacto muito maior em nós, especialmente porque são menos comuns do que os elogios (para grande parte das pessoas).

Pense bem antes de falar...

Pessoas depressivas e com autoestima baixa também são mais suscetíveis ao peso das críticas negativas, já que estão focadas nos aspectos ruins delas mesmas. Quando recebem as críticas, elas muitas vezes veem isso como reforço do que realmente enxergam de si, o que contribui para níveis maiores de depressão. Por isso, criticar ou fazer bullying com pessoas que já são deprimidas pode ser algo muito pior, pois elas só enfatizarão os seus defeitos com o discurso proferido – algo que pode se tornar muito sério no futuro.

Existem diversas teorias e estudos que procuram entender por que as críticas ruins são mais importantes para nós do que as boas, porém não há definições ou fórmulas exatas que apresentem por que nos sentimos tão abalados quando somos reprovados pelos outros. O ideal é sermos nós mesmos, independente das opiniões dos outros, porém sabemos que não é exatamente fácil para todo mundo, não é?