Se você tivesse que definir felicidade com apenas uma palavra, qual seria ela? Amor? Saúde? Dinheiro? Família? Amigos? A verdade é que felicidade é um assunto abstrato, e sua melhor definição depende sempre da experiência pessoal de cada um. Em linhas gerais, todo mundo quer ser feliz, certo? Bem... Talvez nem tanto.

Estudar felicidade não deve ser a coisa mais simples do mundo, e algumas pesquisas recentes têm sugerido que não é assim tão óbvio que todas as pessoas desejam ser felizes. Na verdade, ao que tudo indica, felicidade está mais para uma questão cultural do que algo inerente à condição humana.

Parece estranho pensar dessa maneira, mas em alguns lugares do mundo as pessoas fogem da felicidade, e, acredite você ou não, é bem possível que você saiba a razão para isso – talvez só não tenha se dado conta ainda.

Quem quer ser feliz?

Em algumas culturas, a felicidade é interpretada de outras maneiras. Você deve estar acostumado com a ideia de que uma pessoa feliz é aquela que se sente bem mental e fisicamente, certo? Em algumas regiões asiáticas, a felicidade não é interpretada dessa maneira – por lá, ser feliz às vezes é visto como impróprio, e no Japão, por exemplo, a felicidade não parece ter o mesmo valor que tem para nós. Não é nada muito importante.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Wellington analisou as formas diferentes pelas quais as pessoas enxergam a felicidade, além de avaliar a importância que cada cultura dá a ela. Para nós, que estamos acostumados a enxergar a felicidade como uma coisa boa e uma espécie de meta de vida, os resultados desse estudo são realmente surpreendentes.

Os pesquisadores exploraram dois tipos básicos de felicidade: aquela que sentimos quando somos promovidos no trabalho, por exemplo, é bem diferente da que sentimos quando chegamos em casa e brincamos com o cachorro da família. Essas duas situações de alegria foram utilizadas para ilustrar a ideia de felicidade autocentrada, no caso do emprego, e de felicidade em conjunto, no caso do cachorro. Nesse ponto, as diferenças culturais exercem uma influência realmente significativa.

Mau presságio

Para a maioria dos orientais, a felicidade é vista como uma espécie de aviso de mau presságio. Qualquer pessoa feliz demais, comemorando demais ou se divertindo muito estaria, para eles, quase pedindo para que algo muito ruim aconteça na sequência. Para essas pessoas, felicidade é sempre um estágio anterior de algo com sérios desdobramentos.

Ainda que essa crença seja realmente forte em culturas orientais, os pesquisadores descobriram que muitos ocidentais estão familiarizados com a ideia de que felicidade demais é presságio de algum acontecimento ruim. Talvez você até já tenha ouvido sua avó dizer que muita risada sempre acaba em choro ou algo parecido.

Na verdade, nós nos preocupamos com a felicidade de tal forma que transformamos a ideia que fazemos dela em ansiedade; como sabemos, isso não é algo muito positivo. Será que colocamos a profecia oriental em prática sem ao menos nos darmos conta disso? Nesse sentido, percebe-se que há uma relação bastante direta entre felicidade e quão segura uma pessoa se sente com a própria vida.

Filosofias de espiritualidade

Essa teoria sobre aversão à felicidade tem muito a ver com as crenças religiosas e espirituais do Oriente. Nesse sentido, por acreditarem no equilíbrio de tudo, momentos de extrema felicidade precedem momentos ruins por uma questão de estabilização, balanceamento. É basicamente como se houvesse uma balança, daquelas mais antigas com duas superfícies de equilíbrio, onde de um lado estaria a felicidade e do outro o oposto dela.

Na Coreia, muita gente acredita que uma pessoa feliz no presente terá um futuro triste. No Irã, há até um ditado que diz que “rir em voz alta acorda a tristeza”, e não é preciso muita interpretação de texto para entender o que os iranianos pensam respeito do assunto.

Em outras regiões, no entanto, a crença é a de que ser feliz é sinônimo de ser corrupto – alguns grupos islâmicos acreditam que a felicidade é algo que devemos evitar porque vem de Deus e não de coisas efêmeras e vulgares do nosso planeta. De fato, eis uma questão que depende mesmo da cultura e da crença de cada um.

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