Para algumas pessoas, ter um relacionamento amoroso estável é fundamental, principalmente para as que buscam constituir família. Nesse sentido, o que elas querem mesmo é encontrar uma esposa ou um marido com quem possam dividir suas vidas até que, como já diz parte do ritual casamenteiro, a morte os separe.

Como fazer com que um relacionamento dure tanto tempo assim? É comum dizermos que, na época de nossos avós, os casais ficavam juntos por mais tempo, mas será que isso quer dizer que eles eram casais felizes? Vale lembrar também que, por muito tempo, o divórcio não era permitido pelo Estado, então o fato de que muitos casais permaneciam juntos a vida inteira não significa que viviam por vontade própria ao lado um do outro.

O colunista Eric Barker, da revista Time, reuniu uma série de conclusões científicas a respeito de relacionamentos duradouros. Se é isso o que você quer, talvez valha a pena saber o que a Ciência tem a dizer a respeito de casais que não apenas ficam juntos por muito tempo, mas têm casamentos realmente felizes. A maioria dessas pesquisas estuda relacionamentos heterossexuais, infelizmente, porém, como a gente sabe que o amor não é exclusivo à heteronormatividade, podemos dizer que todo casal, seja ele como for, pode se beneficiar destas observações:

1 – Você não consegue ler mentes, sabia?

Pois é, estamos falando a respeito de ler mentes em um texto sobre relações amorosas, mas calma que vamos explicar. Aaron Beck é um psicólogo especialista em relacionamentos e, para ele, não é apenas o amor que faz com que duas pessoas fiquem juntas por muito tempo.

De acordo com Beck, um dos maiores problemas dos casais modernos é o fato de que as pessoas tentam ler mentes. “Ela está quieta, então deve estar furiosa comigo” ou “ele não atendeu à minha ligação e, por isso, deve estar me traindo e não me ama mais” são exemplos de deduções ridículas que fazemos sem ao menos nos darmos conta.

Beck nos lembra de que há zilhões de motivos pelos quais as pessoas agem da forma como agem. Ainda assim, tendemos a pensar que sabemos a resposta e, claro, essa resposta é negativa na maioria das vezes. Se acertamos? Quase nunca. E é aí que muitos problemas de relacionamentos começam.

Sabia, por exemplo, que há estudos comprovando que beberrões brigam porque o álcool aumenta a nossa crença de que os outros fizeram algo intencionalmente? Com os casais acontece a mesma coisa, ainda que sem a intervenção alcoólica: por acharmos que entendemos o outro tão bem, tiramos conclusões precipitadas e, possivelmente, acabamos brigando em seguida.

“Frequentemente agimos como bêbados em nossos relacionamentos. Nós entendemos que erros comuns são grandes sinais de que alguém não nos ama”, explicou Barker. A verdade é que, por mais íntima que uma pessoa seja de você, você NUNCA vai saber exatamente o que se passa na cabeça dela – na verdade, nem esse deve ser o seu objetivo.

Geralmente interpretamos o que a outra pessoa pensa ou sente a nosso respeito por meio dos sinais subjetivos que captamos. Acontece que nosso “receptor de sinais alheios” nem sempre funciona perfeitamente e, às vezes, acabamos nos enganando feio. “Quando mais intenso é o relacionamento, maior é a possibilidade de incompreensão”, dispara o especialista.

2 – Seu relacionamento pode estar em depressão

Assim como as pessoas, relacionamentos também têm depressão, e isso ocorre quando as pessoas pensam negativamente e sempre imaginam o pior cenário. Em um relacionamento amoroso, as consequências são mais do que negativas.

No começo da relação, quando quem manda em tudo é a paixão, tendemos a ver o outro com base na melhor perspectiva possível, e isso é considerado um pouco saudável, inclusive. Com o passar do tempo, no entanto, a percepção do outro começa a sofrer algumas mudanças: se você curtia aquele espírito livre da pessoa amada, agora você acha que ela não dá tanta atenção ao relacionamento, que é “livre demais”.

Sabe qual é um dos fatores que distinguem uma relação feliz de uma infeliz? A forma como as pessoas interpretam as atitudes do outro. Em terapias de casais, por exemplo, Beck explica que o que é perceptível não é um aumento de momentos felizes, mas uma diminuição das interpretações erradas com relação às atitudes da outra pessoa.

3 – Regras não faladas

“Eu tenho uma lista de regras, mas não vou contar que regras são essas. Se você as violar, eu terei o direito de me irritar. Além disso, mesmo que eu não cogite dizer para você que regras são essas, o fato de você não conhecer essas regras é também uma violação e eu estou no meu direito de me irritar com você por isso também”.

Ok, ninguém diz a sentença acima, mas é como muitas pessoas agem. Ainda que tenhamos a capacidade de nos comunicar verbalmente, como não acontece com os outros animais do planeta, nem sempre usamos esse superpoder.

Como é que esperamos ter um bom relacionamento com alguém se não temos uma boa comunicação com essa pessoa? Como é que sonhamos com a ideia de envelhecer ao lado de alguém se nos fechamos e não dizemos o que sentimos? E ainda dizem que seres humanos são racionais...

Você pode se defender afirmando que é óbvio que você é de tal forma e que a pessoa com quem você está deveria perceber isso, mas, olha, a verdade é que o que é óbvio para você raramente é óbvio para o  outro, ainda mais falando em termos de sentimentos e emoções.

Algumas pessoas têm problemas para falar sobre sentimentos, mas insistir em mantê-los escondidos só piora a situação. Com um pouquinho de treino e de confiança, é possível mudar isso. Assim como você não consegue ler a mente dos outros, não deve esperar que leiam a sua também. Então, para evitar a fadiga, apenas FALE.

4 – Significados simbólicos

Você se esquece de comprar alguma coisa que seu marido ou sua esposa pediu para que você comprasse. E aí a briga é homérica. Na sua cabeça, foi só um esquecimento, mas na cabeça da outra pessoa foi um sinal claro de que você não se importa com ela.

É natural que todo mundo atribua significados simbólicos às atitudes das outras pessoas e, da mesma forma que isso acontece, somos péssimos em comunicar que significados atribuímos a determinadas atitudes. Quando há problemas na comunicação, o que acontece? Isso mesmo: brigas, discussões e estresses desnecessários.

“Por causa dos significados simbólicos atribuídos a falhas ordinárias, como se atrasar, o parceiro pode atribuir um grande significado ao atraso do outro: ‘alguma ruim coisa deve ter acontecido com ela’ ou ‘se ele realmente se importasse com os meus sentimentos, estaria aqui no horário combinado’”, explica Beck. O que resolve o problema? Conversar.

5 – O que mudar e como mudar

É curioso como esperamos sempre que os outros nos entendam, mas temos dificuldades em compreender nossos próprios sentimentos. Talvez, inconscientemente, uma coisa justifique a outra.

Beck recomenda que as pessoas comecem a se policiar no sentido de pensarem melhor sobre o que esperam da pessoa com a qual se relacionam. Se você acha que a outra pessoa precisa entender algo que não foi dito, saiba que isso não acaba bem e tente mudar a comunicação.

O ideal é dizer quais são as suas necessidades e expectativas e, claro, incentivar que a pessoa com quem você está faça a mesma coisa. Se vocês dois não conseguem conversar, não tem nem como esperar que o relacionamento dure muito tempo. Para saber se você entende as necessidades do seu parceiro, tente falar sobre elas. Se conseguir, é porque entende. Não interprete cada pisada de bola como algo feito para afetar você diretamente.

Logicamente, estamos falando de pessoas mentalmente saudáveis – se a pessoa com quem você está age de modo agressivo ou violento, é um sinal claro de que esse relacionamento é abusivo e errado. Em caso de violência física, inclusive, o ideal é denunciar, e não permanecer no relacionamento.

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