No dia 24 de janeiro, a Fox vai estrear a nova temporada de “Arquivo X” depois de um hiato de quase 14 anos sem novos episódios. Esse retorno especial deixou os fãs de todo o mundo em polvorosa. Hoje em dia, séries de investigação são bastante comuns, mas “Arquivo X” ajudou a definir o que seria um grande filão na televisão norte-americana.

Quando a série estreou, em 1993, poucas mulheres dominavam as telinhas. Uma das mais que fazia sucesso era Pamela Anderson, em “SOS Malibu” (ou “Baywatch”, no original). Nessa época, para elas fazerem sucesso na TV, era preciso que pertencessem a um estereótipo de muito peito e pouco cérebro.

Isso era tão enraizado que, quando a Fox deu o sinal verde para o início das filmagens de “Arquivo X”, era esse o padrão que os executivos procuravam para preencher o papel de Dana Scully, a cética investigadora do FBI que contrapõe Fox Mulder, um agente especializado em casos bizarros e que busca provar a existência de extraterrestres.

Inicialmente, Dana Scully era descrita como uma loiraça com peitos grandes

Quando Gillian Anderson apareceu para fazer o teste, os executivos torceram o nariz, afinal, ela não tinha nada daquilo que eles procuravam. Aos 24 anos, ela era uma jovem atriz que teve mentir ter 27 para poder se enquadrar “um pouco mais” no que eles buscavam. Sem contar que ela estava com um terno mal ajustado, sapatos baratos e cabelos “sem vida”. Só que, ao verem a química entre ela e David Duchovny, os executivos notaram que não haveria atriz melhor para a personagem.

Séries de ficção faziam pouco sucesso nessa época, e investir em alguém com pouco sex appeal era um risco, mas a aposta deu certo! O máximo que mudaram foi tingir o cabelo de Gillian para ruivo, tornando-a um pouquinho mais próxima daquilo que eles imaginavam. “Arquivo X” durou nove temporadas, gerou dois filmes e revolucionou a televisão norte-americana. E isso mesmo depois de os executivos acharem que ela não duraria mais do que uma temporada...

Dana Scully se tornou uma grande influência para uma geração de mulheres

Aos poucos, porém, um fato interessante aconteceu: a personagem “sem apelo sexual” de repente se tornara a queridinha do público. E mesmo usando um sobretudo na maioria dos episódios, Dana Scully se tornou um símbolo de beleza e sensualidade. Sem contar que ela era inteligente pra caramba: médica legista, física e professora. Além de ser católica, o que muitas vezes criava um confronto pessoal de crença versus ciência.

Scully também era muito corajosa, racional, workaholic, confiável e autônoma. Ela vivia sozinha em seu apartamento, até a chegada de um cachorrinho que ela adotou após a morte da irmã. O fato de ser uma pessoa com tamanha independência e sabedoria fez com que inúmeras meninas se inspirassem nela para planejar o seu futuro.

Aos poucos, o público descobriu uma nova forma de ser sexy: através das atitudes

O aumento do número de mulheres buscando as áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e medicina, na sigla em inglês) foi chamado de Efeito Scully. Há alguns anos, em uma Comic-Con, questionaram a atriz Gillian Anderson se ela já havia ouvido falar nesse termo. E ela respondeu: “Foi uma surpresa para mim quando me disseram isso. Recebíamos um monte de cartas o tempo todo e me falavam com frequência de meninas que estavam indo para o mundo médico ou o mundo da ciência ou o mundo do FBI e que estavam desenvolvendo essas atividades por causa da Scully. E eu disse: ‘Yay!’”.

Apesar de estar há 12 anos fora das telinhas, “Arquivo X” continua gerando uma constante base de fãs, que passaram a ter acesso à série através do Netflix. Essa popularidade aumenta ainda mais a expectativa pela nova minitemporada, que terá apenas seis episódios e já deixa um gostinho de “quero mais” mesmo antes de estrear.

Mas se você é daqueles que prefere “SOS Malibu”, não tem problema: uma nova versão da série está sendo feita para os cinemas e deverá estrear em 2017. Até lá, “Arquivo X” pode ganhar outro revival e mostrar que a verdade sempre estará lá fora.

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