Muita gente que se alimenta mal libera flatulências de proporções catastróficas. Em alguns casos, essas pessoas mudam para um estilo de vida mais saudável, incluindo frutas e verduras no cardápio diário, mas, mesmo assim, continuam com muitos gases — talvez não com o odor tão forte, mas continuam em quantidade. Por que isso acontece?

Segundo o site NPR, há algum tempo até ficou conhecida uma tal dieta que era “fart-free”, ou seja, com receitas em que a pessoa que consumisse não produziria gases. Bem, é claro que isso é pouco provável, pois esse efeito é necessário para o organismo. Além do mais, ser um pouco “gasoso” é o preço que os seres humanos têm que pagar por uma série de benefícios.

É para o seu bem

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E todos nós sabemos bem que muito desse “ar” aparece com bastante intensidade quando ingerimos alimentos nutritivos e fibrosos como repolho, feijão, lentilha, couve ou brócolis. Observando isso, os pesquisadores descobriram que esses alimentos aumentam os níveis de bactérias intestinais benéficas depois de apenas alguns dias de consumo.

Então, vem a dúvida, se a pessoa “libera” é um sinal que as suas bactérias  do intestino estão ocupadas tentando mantê-la saudável? A gastroenterologista Purna Kashyap, disse ao site NPR que sim. "Comer alimentos que causam gases é a única maneira de os micróbios no intestino obterem nutrientes. Um indivíduo saudável pode ter até 18 flatulências por dia e ser perfeitamente normal”, disse a especialista.

Os gases “entram” no trato digestivo, principalmente através de duas vias: engolindo o ar (o que todos nós fazemos quando comemos ou falamos) e pela produção do chamado microbiota. O microbiota é o conjunto de micro-organismos presentes em nosso cólon, sendo formado por centenas de bactérias diferentes. E todas elas formam gases.

Mas isso não é tudo que elas fazem. Segundo Purna Kashyap, quando as bactérias decompõe a comida, criando o gás, elas também produzem as moléculas que turbinam o sistema imunológico, protegendo o revestimento do intestino e prevenindo infecções.

E quanto mais fibra você comer para alimentar esses simpáticos habitantes do seu intestino, mais tipos de boas espécies aparecem. E tudo isso tem ainda um ótimo e bem mais agradável efeito: uma ajuda no emagrecimento.

Alterações no odor

De acordo com a especialista Kashyap, os gases liberados pelas colônias da microbiota são inodoros. “É simplesmente o dióxido de carbono, hidrogênio ou metano. Mas às vezes um pouco de enxofre aparece lá. É quando ele fica malcheiroso”, diz ela. Mas é aí que está o ponto. Segundo ela, muitos dos componentes de enxofre em vegetais têm propriedades saudáveis??.

Alguns exemplos são os brócolis e os repolhos. Estes vegetais contêm um composto de enxofre chamado sulforafano, que está fortemente associado com um risco reduzido de câncer. Outro possível benefício desse componente que gera odor intenso pode reduzir o volume total de ar no intestino.

Mas, por quê? Porque as bactérias produzem o gás de enxofre a partir de outros gases no intestino, como o hidrogênio. É claro que em um excesso fora do normal, os gases realmente podem atrapalhar a sua rotina ou ser sinal de alguma doença. “Se o gás e inchaço começam a interferir com a sua qualidade de vida, é melhor consultar um médico. Mas não culpe imediatamente a sua dieta”, afirma a especialista.

De acordo com a médica, em muitos casos, as pessoas que se queixam de muitos gases, na verdade, não geram mais do que as outras. Elas apenas percebem a passagem de forma mais intensa.

A conclusão da especialista é que sim, as fibras geram mais gases, mas não é indicado eliminá-las da dieta, pois elas são importantes para manter as bactérias benéficas do intestino. Por isso, quando aquela flatulência surgir após um prato de feijão com repolho, leve esse sinal como um agradecimento de seu microbiota.