Como você sabe, os sprays que existem por aí para desodorizar ambientes nem sempre dão conta de mascarar maus odores — isso quando não pioram as coisas misturando-se com o cheirinho ruim do qual queremos nos livrar. Ou você vai dizer que nunca entrou no banheiro e se perguntou o que era pior: o “perfume” deixado pelo ocupante anterior ou a combinação resultante dos cheiros?

Pois, segundo Jacqueline Howard do The Huffington Post, dois pesquisadores norte-americanos — os irmãos Lav e Kush Varshey — estão trabalhando em uma forma inusitada de neutralizar odores, criando um equivalente olfativo para o “ruído branco”.

Só para você entender melhor a teoria por trás da ideia dos cientistas, esse tipo de ruído é caracterizado pela combinação simultânea de sons de todas as frequências com o objetivo de encobrir outros sons. Ouça um exemplo:

Odor branco

De acordo com Howard, os pesquisadores descobriram que todos os compostos químicos presentes em qualquer cheiro que conseguimos detectar possuem um equivalente “contrário” de forma que, quando eles se mesclam, seus odores se cancelam. Então os cientistas criaram uma base de dados de aromas, combinando os compostos odoríferos com as classificações de várias propriedades dos cheiros.

Depois, os pesquisadores desenvolveram um modelo apoiado nessa base de dados onde é possível selecionar o cheiro que desejamos eliminar e ele encontra quais são os compostos que devem ser utilizados para neutralizar esse aroma específico.

Através do modelo, os cientistas descobriram, por exemplo, que uma mistura de 38 compostos diferentes é capaz de eliminar quase completamente os cheiros de atum fermentado, cebola, chucrute e até de durian — uma fruta deliciosa e suculenta, mas incrivelmente fedorenta.

Conforme explicaram, além da aplicação óbvia de neutralizar odores em ambientes fechados — como aviões, edifícios públicos etc. —, o “odor branco” também pode ser útil para a indústria alimentícia. Os aromas estão intimamente relacionados com a percepção humana com respeito aos sabores, e os pesquisadores especulam que esse truque poderia ser usado para tornar alimentos com odores pouco convidativos atraentes para os mais enjoadinhos.