Normalmente nos lembramos dos nossos músculos depois de um treino puxado na academia ou de realizar algum esforço físico ao qual não estamos acostumados. Contudo, o Sistema Muscular é muito mais complexo do que imaginamos, e composto por mais estruturas do que apenas aquelas que nos ajudam a levantar objetos pesados. Assim, que tal conhecer um pouco melhor essa incrível engrenagem essencial para a nossa sobrevivência?

De acordo com Kim Ann Zimmermann do site Live Science, os seres humanos contam com cerca de 650 músculos, e o mais comum é que associemos essas estruturas com atividades que envolvem a movimentação voluntária de partes do corpo como os braços e as pernas, por exemplo.

Contudo, o sistema muscular também está envolvido em inúmeras ações muito mais sutis e até involuntárias, como a circulação do sangue e de outras substâncias pelo corpo, a respiração, o movimento dos olhos e a formação de expressões faciais. E todas essas funções são executadas por três tipos diferentes de músculos: o liso, o estriado e o cardíaco.

Tipos

Os músculos estriados — também conhecidos como esqueléticos — são aqueles que controlamos voluntariamente e que nos ajudam a realizar atividades conscientemente. E como a maioria desses músculos está ligada a ossos e articulações (por meio de tendões), são eles quem permitem que movimentos de abrir e fechar (ou “dobrar e esticar”) de membros sejam executados.

Os músculos do tipo liso — ou visceral —, por sua vez, são aqueles que se encontram no interior de órgãos como o útero, os vasos sanguíneos e os intestinos, e estão envolvidos na realização de movimentos involuntários, dos quais não temos controle. Assim, essas estruturas são as responsáveis por se contrair e mover substâncias através do organismo.

Por último, o músculo cardíaco existe exclusivamente no coração e, como você já sabe, é responsável por fazer com que esse órgão se contraia e bombeie o sangue por todo o corpo. E assim como os músculos lisos, o músculo cardíaco trabalha involuntariamente, e nós não temos o poder de controlá-lo. Na verdade, o ritmo de contração é determinado pelo cérebro e alguns hormônios, mas é o próprio músculo cardíaco quem estimula sua contração.

Tamanho, direção, formato e função

Segundo Zimmermann, outra maneira de identificar os diferentes tecidos musculares é a através de seu formato, tamanho, direção e função. Assim, o músculo romboide maior, por exemplo, localizado nas costas e responsável por conectar a escápula à coluna vertebral, tem forma de diamante, enquanto os deltoides — situados nos ombros — têm formato triangular.

Já o tamanho pode ser útil para ajudar na identificação de músculos diferentes localizados em uma mesma área do corpo, como é o caso das estruturas presentes desde a região abaixo da cintura até logo acima da coxa, chamadas glúteo máximo, médio e mínimo. Com respeito à direção, as fibras musculares podem se espalhar paralelamente à linha de tração do músculo, assim como na direção oblíqua, diagonal e de cima para baixo, por exemplo.

E, finalmente, outra maneira de identificar diferentes músculos é através de sua função. Assim, alguns exemplos mencionados por Zimmermann são os flexores dos antebraços, que nos permitem flexionar o punho e os dedos, e os adutores das pernas, por meio dos quais realizamos o movimento de flexionar esses membros.

Manutenção da engrenagem

De acordo com Zimmermann, não existe uma especialidade médica dedicada exclusivamente ao cuidado dos músculos, e quando algum problema aparece, normalmente são os ortopedistas, neurologistas, reumatologistas e, evidentemente, os cardiologistas quem vêm em nosso socorro. E olha que o que não faltam são problemas que podem afetar o bom funcionamento do sistema muscular — e do nosso corpo —, infelizmente.

Entre as patologias mais comuns, estão as distrofias musculares (doenças hereditárias degenerativas), distúrbios metabólicos (que afetam as reações químicas envolvidas na obtenção de energia a partir de alimentos) e os distúrbios neuromusculares (que comprometem os nervos ou as células que controlam os músculos estriados).

Frequentemente, os primeiros sinais de problema manifestam principalmente na forma de fraqueza, cansaço, espasmos, cãibras e contrações. No entanto, também existem outros sintomas bastante comuns, dependendo das áreas afetadas pelos distúrbios. O diagnóstico costuma ser feito por meio de exames de eletromiografia e, a partir dele, os médicos podem decidir sobre o melhor tratamento. Portanto, se você apresentar qualquer dos sintomas acima de forma persistente, não vacile e procure ajuda!