Se você já viajou para um lugar longe, com o fuso horário diferente da cidade onde mora, sabe que é uma sensação estranha e que a adaptação pode levar algum tempinho, certo? Esse estranhamento biológico que acontece quando enfrentamos diferenças de fuso é chamado de jet lag e, ao que tudo indica, ele é bem mais intenso quando viajamos para o Oriente.

Para descobrir por que existe essa diferença, pesquisadores da Universidade de Maryland desenvolveram um modelo matemático. As contas foram feitas com base nas mudanças ocorridas em nosso corpo quando viajamos para outro fuso – essas mudanças basicamente alteram o relógio interno do cérebro, conhecido como ritmo circadiano.

As células cerebrais que são responsáveis por nos manter em sincronia com o horário acabam se atrapalhando quando mudamos de fuso, o que causa a dificuldade de adaptação a um novo cronograma. O modelo matemático elaborado pelos cientistas de Universidade de Maryland avaliou de pertinho o funcionamento dessas células e observou como elas se adaptam à mudança de fuso e como fazem isso.

Reloginhos

Todos somos, todos temos.

Para entender melhor o que foi feito nessa pesquisa, imagine que, da mesma forma que você adiantaria o seu relógio de pulso quando viajasse para um lugar distante ao leste, seu relógio cerebral faz a mesma coisa. O problema é que as células do nosso relógio cerebral têm um ciclo de 24 horas e meia, o que é mais do que o tempo de duração de um dia inteiro. Essas células se adaptam melhor quando precisam aumentar o fuso do que quando têm que diminuí-lo.

Foi com base nessas informações que os cientistas pensaram em um modelo matemático que pudesse representar essa adaptação das células neuronais da região do cérebro que programa no ciclo circadiano. Para isso, foram levados em consideração fatores como sensibilidade à luz solar, nebulosidade, latitude geográfica e fatores sazonais.

O que se percebeu foi que, quando viajamos muito para o Oriente, as células que controlam o ciclo circadiano se ajustam de modo a atrasar o relógio cerebral. É essa necessidade de atraso que nos faz ter dificuldades de adaptação, principalmente quando voltamos de um país oriental depois de uma viagem longa. Quando vamos para um país do Oriente, chegamos a atravessar até nove fusos horários, e nosso cérebro, em vez de se ajustar nove horas para frente, precisa se atrasar em 15 horas. Eis um jet lag difícil de encarar.

Meia hora faz diferença, sim!

Vai dizer que não?

Ainda que a viagem dure menos e seu cérebro precise se ajustar por pouco tempo, o fato de o nosso ciclo circadiano ter uma duração de meia hora a mais do que o dia é o que dificulta nossa adaptação. Da próxima vez que alguém disser a você que meia hora é pouco tempo, você já sabe o que usar como exemplo para provar que não: meia hora é muita coisa.

Esse estudo revelou que uma pessoa leva, em média, quatro dias para se recuperar da “leseira” provocada por um grande jet lag devido ao cruzamento de três fusos horários em direção ao Oriente. Agora se a viagem for em direção ao Ocidente, esse tempo diminui para três dias.

“Algumas pessoas podem ter um ciclo circadiano natural com um período de 24,5 horas, enquanto outras podem ter ritmos naturais mais longos ou mais curtos. Nosso modelo sugere que a diferença entre o período natural de uma pessoa controla como ela experimenta o jet lag”, explicou Michelle Girvan, uma das autoras da pesquisa, à CNN.

Como lidar?

zzzzzzzzzzzzzz

A pesquisadora disse também que a ideia do grupo é melhorar o gráfico matemático em termos biológicos, coletando dados de experiências com jet lag vividas pelos mais diversos tipos de pessoas. Assim será possível elaborar um gráfico ainda mais realista.

Por enquanto, o que se sabe é que é possível se recuperar mais rapidamente dos efeitos chatos de um jet lag. De acordo com Girvan, precisamos estar atentos aos sinais do nosso próprio corpo e nos prepararmos com antecedência – por exemplo: uma semana antes do embarque, deixe as luzes acesas até o horário em que o Sol se põe no país para o qual você está indo.

Além disso, ao chegar ao seu destino, nada de fechar as cortinas do hotel e dormir por horas. O melhor é entrar na rotina do país e tentar, ao máximo, ficar acordado enquanto houver luz solar – a gente sabe que isso não é exatamente fácil, mas, se você fizer assim, vai se recuperar com mais facilidade quando voltar para casa.