A confluência de uma rede mundial de computadores sempre ativa e de ativismos de militância incansável pode ser bastante danosa — principalmente para quem toca uma enorme rede de fastfood ancorada em “velhos” hábitos alimentares. Não sei você, mas, particularmente, já ouvi pelo menos umas dez receitas “alternativas” para a formação da carne do icônico Big Mac, por exemplo. “Carne de minhoca” provavelmente foi a menos asquerosa.

Dessa forma, depois de garantir que utiliza carne 100% bovina em seus sanduiches e de mostrar que seus nuggets não são fabricados a partir de alienígenas cor-de-rosa processados, eis que o McDonalds agora resolveu focar na fabricação de outro de seus pratos clássicos: o McRib. O destino foram as instalações da fábrica de alimentos Cargill, em Fresno (Califórnia, EUA).

“Eu sou um cético”, diz o convidado especial

Embora não seja tão conhecido por aqui, o McRib é um prato sazonal obrigatório nos finais de ano nos EUA. Dessa forma, alguma cabeça bem paga da administração do McDonald's não pôde evitar a preocupação depois que se gerou certa comoção diante da imagem de algo esturricado e congelado que circulou esses tempos internet afora.

Para participar da visita, a rede escolheu o professor Wes Bellamy, que havia tweetado sobre a referida imagem. “Eu sou um cético”, garantiu o sujeito antes de entrar na fábrica — e pouco antes de se afundar em um McRib feito na hora, com direito a repetição.

Embora, de forma geral, o vídeo seja bastante “scriptado” — tal como normalmente são os conteúdos promocionais —, não se pode negar que se trata de um registro bastante verossímil das condições em que são fabricados os adorados McRib. Ademais, é de se apostar que a limpeza do local não foi feita pouco antes da visita, naturalmente.

“Não há nenhum osso ou cartilagem — é tudo carne”

A visita tem início com um punhado de carne suína sendo despejado para dentro de um reservatório (espera-se) devidamente higienizado. Neste momento, o anfitrião Grant Imahara (ex-Mythbusters) faz questão de frisar: “Não há nenhum osso ou cartilagem — é tudo carne”.

No caso, Imahara ecoou uma das principais teorias relacionadas à conformação do McRib. Embora alguém já tenha encontrado uma cabeça de galinha em algum outro lugar, aquilo ainda parece ser a exceção, de fato.

Posteriormente, a carne é despejada em um tanque para, em seguida, ser moída. Nesse momento, um funcionário aproveita para despejar sal, dextrose (um tipo de açúcar) e conservantes na carne já processada. Entre os conservantes, há o galato de propilo, o BHA e também o ácido cítrico. De acordo com um representante da fabricante, os produtos são aplicados para “manter o sabor até [que os alimentos] cheguem ao restaurante”.

Uma esguichada de água e um rápido congelamento

Seguindo pelo processo industrial, a carne bovina mostrada no início ganha então o formato “fake” de costelinhas de porco — com saliências que se parecem com os ossos da versão real. Antes ser dividida em porções individuais (sob o olhar atento de um funcionário), entretanto, o material ganha um breve esguicho de água (para manter-se umedecido) e, por fim, é levemente congelado.

Cozimento e molho

A imagem veiculada pela internet certamente se refere à carne processada do McRib da forma como esta chega aos restaurantes da franquia. Nesse momento, entretanto, vem o preparo, cujo resultado pretende fazê-lo crer em costelinhas de porco tal e qual — e, vá lá, de fato é tudo carne de porco.

Curiosamente, entretanto, a carne do McRib apenas é mergulhada no tradicional molho barbecue do prato após o seu cozimento — o que, ao menos em teoria, diminuiria o sabor do molho no interior da carne. O molho, por sua vez, é composto de massa de tomate, cebola em pó, alho em pó, pimenta, xarope de milho com alto teor de frutose, melaço, sal, açúcar, vinagre destilado, goma xantana, óleo de soja modificado, amido, corante caramelo, beterraba em pó, benzoato de sódio e água.

A montagem do sanduíche

Paralelamente, o pão do McRib vai ao forno, apenas esperando pela etapa final: a montagem. Nesse momento, um funcionário do McDonalds se encarrega de juntar o pão, o picles e o que parece ser uma cria alienígena embebida em molho viscoso — embora, há quem garanta, o gosto deve ser bem melhor do que o visual.

O bom professor Bellamy, por exemplo, termina por se lambuzar com um belo sanduíche feito na hora — “É assim que eu gosto de comer barbecue”, diz ele. Enfim, agora é esperar pela próxima desmistificação da trupe de Ronald McDonald's. Particularmente, sempre tive certa curiosidade em relação às tortinhas... Talvez este redator faça circular pela internet alguma imagem controversa (ou não).