O lançamento do filme “Terremoto – A Falha de San Andreas” em maio deste ano fez com que o tão antecipado The Big One voltasse a ser discutido por especialistas — e fatalistas — mundo afora. E aqui no Mega Curioso mesmo nós postamos uma matéria na qual explicamos o que poderá acontecer quando o sismo realmente acontecer. Alerta de spoiler: o tremor real, apesar de trágico, será bem menos cataclísmico do que o do cinema.

The Big One

Conforme explicamos na nossa matéria sobre o The Big One, embora a Falha de San Andreas seja a mais conhecida — bem como uma das falhas mais vastamente estudadas do mundo —, ela não é a única na costa oeste dos Estados Unidos, nem a única característica geológica que oferece grandes riscos na região.

Um pouco mais ao norte, mais precisamente ao longo do norte da Califórnia, do Oregon, Washington e da Columbia Britânica, se encontra a zona de subducção Cascadia — e essa aí sim, quando resolver liberar toda a sua ira, poderá provocar um megaterremoto que sacudirá a região pra valer, podendo bater entre 8,7 e 9,2 na Escala de Richter.

Nessa zona existem duas placas tectônicas sob o Pacífico, e uma delas está deslizando sob a outra. O problema é que esse movimento resulta em um enorme acúmulo de pressão que, mais cedo ou mais tarde, precisa ser liberada. E quando isso acontecer, uma enorme porção do Noroeste Pacífico será “engolida” — provocando o que muitos especialistas acreditam que poderá ser o pior desastre natural da História dos Estados Unidos.

The Really Big One

Esta semana, Kathryn Schulz do The New Yorker publicou um artigo que deu o que falar na mídia norte-americana. Isso porque um novo relatório de levantamento de riscos foi publicado recentemente, trazendo algumas previsões um tanto quanto alarmantes sobre a situação da zona de subducção Cascadia.

Batizado por Kathryn de “The Really Big One” — ou algo como “O Grandão Mesmo!” em tradução livre —, segundo os especialistas, esse violento terremoto poderá arrasar residências e edifícios, destruir plantas de distribuição e infraestrutura de rede elétrica, além de possivelmente fazer com que o limite do continente descenda quase 10 metros, liquefazendo boa parte do solo.

Os especialistas também preveem que, apenas 15 minutos depois do tremor, um gigantesco tsunami — um paredão de água com mais de 1.100 quilômetros de extensão — atinja a costa noroeste dos EUA, “varrendo” a área. E as estimativas são de que mais de 13 mil pessoas percam suas vidas na catástrofe, sem falar que mais de um milhão ficará desabrigada, e mais de dois milhões não terão acesso a água ou comida durante meses.

Exagero?

De acordo com Kenneth Murphy, diretor da FEMA — Agência Federal de Gestão de Emergências do governo dos EUA — a região será completamente arrasada. Além disso, ao contrário do Japão, que desenvolveu sistemas de alerta de terremotos que automaticamente bloqueia linhas férreas e plantas da rede elétrica, além de avisar hospitais para que as cirurgias sejam interrompidas e soar alarmes para a população, os EUA não contam com nada disso.

Por outro lado, apesar de todo esse falatório ter gerado uma — pequena — onda de pânico, outro especialista, John Vidale, da Pacific Northwest Seismic Network, que monitora a atividade sísmica na região do Nordeste Pacífico, pediu calma. Segundo explicou, caso o The Really Big One aconteça em breve, o cenário não deve ser tão devastador como o que foi descrito.

Conforme disse, podem ocorrer interrupções nas comunicações, e o transporte pode se tornar caótico. Com isso, lojas e mercados poderão sofrer temporariamente com a escassez de produtos, mas a população não precisa temer nada apocalíptico. Com respeito à previsão de que o megaterremoto aconteça nos próximos 50 anos, Vidale revelou que a probabilidade é estimada em uma chance em três.