No ano passado, um forte terremoto atingiu o Nepal e causou quase 9 mil mortes, deixando o mundo inteiro entristecido. Agora, os cientistas divulgaram que outro país asiático está sob a ameaça de um sismo ainda mais potente: Bangladesh, a nação mais densamente povoada do mundo, com 157 milhões de habitantes.

Geólogos encontraram evidência de que um enorme terremoto está se formando bem abaixo do país e pode atingir magnitudes que vão de 8,2 a 9 graus na escala Richter, afetando diretamente mais de 140 milhões de pessoas. “Não sabemos quanto tempo vai demorar para acontecer, já que não sabemos quanto tempo se passou desde o último grande terremoto na região”, explicou o pesquisador Michael Steckler, da Universidade de Columbia, de Nova York.

Segundo Steckler, a catástrofe pode ser iminente ou demorar até 500 anos, mas está sendo “arquitetada” pelas placas tectônicas Indiana e Sonda. Como existem poucos registros geológicos históricos na região, os cientistas acreditavam que apenas tremores menores poderiam acontecer, frutos do deslizamento horizontal dessas placas. Porém, um estudo que durou 13 anos mostrou que o cenário é bem mais ameaçador.

Bangladesh é um dos países mais densamente povoados do mundo, com 156 milhões de pessoas (cerca de 75% da população do Brasil) distribuídas em uma área equivalente ao estado do Amapá

Primeira zona de subducção continental

Bangladesh está sobre uma zona subducção, o que significa que a placa Indiana está empurrando a Sonda para baixo a uma taxa de 17 milímetros por ano. Os piores terremotos do mundo aconteceram justamente nessas zonas, como o que vitimou 230 mil pessoas em 2004 e o que causou o tsunami no Japão em 2011.

Normalmente, essas zonas de subducção se encontram nos oceanos, o que torna o estudo ainda mais preocupante: a de Bangladesh é a primeira continental e, quando o tremor acontecer, pode lançar pedaços de terra entre 5 e 30 metros de altura, no pior cenário imaginado pelos geólogos.

Para complicar ainda mais, essa zona instável está sob o delta dos rios Ganges e Brahmaputra, o que pode transformar toda a região em areia movediça caso o terremoto aconteça com sua força máxima. Apesar de todo esse alarde, os cientistas ainda dizem que é cedo para criar pânico: apesar de os dados serem confiáveis, eles foram coletados por apenas 13 anos, que geologicamente é um período muito curto.

Figura mostra zona de subducção no encontro das placas Nazca e Sul-Americana – algo semelhante acontece abaixo de Bangladesh

Alerta e novos estudos

Mesmo assim, a pesquisa serve como um alerta para Bangladesh, que é superpovoado em todas as suas regiões. Usinas de energia elétrica, campos de gás natural e indústrias pesadas ficam bem no caminho de onde o terremoto poderia ser mais intenso, o que pode causar ainda mais estrago ao país.

Cientistas acreditam que Daca, a capital de Bangladesh, com quase 13 milhões de habitantes, poderia ser varrida do mapa e virar uma cidade abandonada. O geólogo bengalês Syed Humayun Akhter ressalta que seu país não está nem um pouco preparado para uma catástrofe dessa magnitude. Porém, ela pode ser menor do que se espera, caso apenas uma parte dos 250 km de extensão da zona de subducção entre em colapso.

A próxima etapa da pesquisa é a instalação de 70 sismógrafos em Mianmar, país vizinho a Bangladesh. A ideia é colher dados mais precisos sobre o que está ocorrendo abaixo da superfície de uma das regiões mais povoadas do planeta para, com isso, tentar criar estratégias que minimizem os estragos quando a catástrofe acontecer.

Daca pode ser intensamente afetada, a ponto de ser totalmente abandonada após a catástrofe