Você já deve ter visto mais de uma foto de ovo de dinossauro ou ter tido a oportunidade de observar um deles em algum museu de história natural, não é mesmo? Pois até recentemente, os paleontólogos acreditavam que os répteis que habitaram a Terra há milhões de anos demoravam entre 11 e 85 dias para nascer — estimativa baseada no tempo que as aves (que são descendentes evolutivos dos lagartões pré-históricos) demoram para sair dos ovos.

Entretanto, um novo estudo apontou que o tempo necessário para os dinossauros se desenvolverem rondava os três e os seis meses — e esse longo período pode ter contribuído para a sua extinção. Paleontólogos da Universidade do Estado da Flórida, nos EUA, chegaram a essa conclusão após examinar embriões de duas espécies de animais pré-históricos, o pequeno protocerátopo e o grandalhão hypacrossauro, cujos ovos eram mais ou menos do tamanho de bolas de boliche.

Contando linhas

Para determinar quanto tempo os dinossauros levavam para sair dos ovos, os cientistas contaram as “linhas de von Ebner”, isto é, linhas que existem nos dentes e que, assim como acontece com os troncos das árvores, permitem que a idade dos animais seja estimada com relativa precisão.

Linhas de von Ebner

Os paleontólogos submeteram os embriões a tomografias computadorizadas e análises sob o microscópio para contar quantas linhas havia nos dentinhos de cada espécie. Eles descobriram que, no caso do protocerátopo, dinossauro que podia chegar aos 2,5 metros de comprimento, o tempo de desenvolvimento era de aproximadamente três meses, enquanto que para o hypacrossauro, que podia bater os 9 metros de comprimento, o período era duas vezes mais longo.

Demora problemática

Pode parecer bobagem, mas as implicações da descoberta são bem importantes. Primeiro que, segundo os cientistas, esse longo período de desenvolvimento sugere que, ao contrário do que se pensava, os dinossauros eram mais próximos aos répteis atuais do que às aves.

Representação artística de um protocerátopo

Em segundo lugar, o longo período também implicava que não só as mamães dinossauro eram obrigadas a ficar “chocando” seus ovos durante um tempão, o que as deixava em uma situação de maior fragilidade, mas que os próprios embriões ficavam mais expostos ao ataque de predadores e eventos naturais, como enchentes e secas, por exemplo, até ter o seu desenvolvimento concluído.

Possível aparência de um hypacrossauro

Agora, considerando a teoria mais aceita no momento sobre a extinção dos dinossauros, os fatores de risco acima seriam muito mais problemáticos no evento de que um asteroide acertasse a Terra, como possivelmente aconteceu há cerca de 65 milhões de anos. Afinal, uma catástrofe como aquela teria levado diferentes espécies a competir por recursos limitados.

Em outras palavras, os paleontólogos acreditam que a combinação do longo período de incubação e das mudanças climáticas provocadas pelo impacto do asteroide pode ter sido demais para a sobrevivência dos dinossauros — pelo menos dos que não guardavam relação com as aves.

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É importante esclarecer que, por conta da incrível dificuldade de encontrar amostras de bebês dinossauros para estudar, os pesquisadores apenas avaliaram dois fósseis até o momento, ambos pertencentes a um grupo dos ornitísquios — dinossauros herbívoros dotados com focinho em forma de bico e cuja estrutura da pelve se parece com a das aves.

Fóssil de hypacrossauro analisado pelos paleontólogos

O tempo de desenvolvimento de embriões de tiranossauros e velociraptores, por exemplo, que pertencem ao grupo dos terópodes, ainda é desconhecido. O mesmo vale para todos os demais grupos que foram extintos, como os saurópodes, anquilossauros e estegossauros, por exemplo. Portanto, vamos ter que torcer para que os paleontólogos encontrem mais embriões fossilizados para estudar.

Bebê protocerátopo

De qualquer forma, não deixa de ser curioso pensar que mera permanência por um período extra dentro do ovo — além do tempo necessário para que os dinossauros alcançassem a maturidade — possa ter tido um papel tão importante na extinção de animais tão grandiosos.