Só quem sofre com as dores da enxaqueca tem a real dimensão do quanto esta doença, ainda incurável, é prejudicial. Trabalho e vida social são afetados por crises que podem durar dias e a busca por métodos que aliviem o sofrimento é interminável.

No entanto, recentes pesquisas em animais mostram que os cientistas estão entendendo cada vez mais como funciona a enxaqueca, onde ela começa e uma possível forma de impedir que a dor se espalhe.

O bloqueio de um neurotransmissor dentro do cérebro poderia impedir que os nervos que são ligados à enxaqueca sejam ativados. Nos experimentos, os pesquisadores utilizaram vasodilatadores para expandir os vasos sanguíneos e aumentar a fluidez do sangue em ratos, e foi dessa forma que eles encontraram neurônios no centro da cabeça que reproduziam os sintomas da enxaqueca.

O líquido utilizado como vasodilatador é conhecido como PACAP e estudos prévios mostram que pacientes que sofrem com a doença tem níveis elevados desta substância em seu sangue. "Para entender a enxaqueca, precisamos entender quais químicos o cérebro está usando para transmitir o sinal que causa a dor", afirma o doutor Peter Goadsby, da Kings College London.

Apesar dos recentes estudos, um tratamento que se baseie nessas descobertas ainda está longe de se tornar realidade. Apesar de funcionarem de maneira parecida, não é possível afirmar que o cérebro humano e o de ratos são ativados da mesma forma.

Além disso, o uso da substância que bloqueou o neurotransmissor que transmitia as dores foi aplicativo de forma direta dentro do cérebro, através de pequenos, algo improvável para nós humanos. Mas, de qualquer forma, a descoberta desta possibilidade abre novos caminhos para chegar à cura desta doença que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.