Será que chove? A pergunta que já preencheu tantas subidas e descidas de elevador também motivou uma verdadeira transformação na forma como nos relacionamos com o clima e suas manifestações.

E isso não apenas porque o indivíduo precisa se preparar para o dia seguinte ou saber o que vestir sem ser pego desprevenido por uma chuva inesperada.

Saber se vai fazer chuva ou sol, frio ou calor, nublado ou céu aberto influencia no planejamento se você está pensando em promover um grande evento  ou soltar uma bomba sobre um país inimigo, por exemplo.

E, assim como outras inovações tecnológicas que nasceram motivadas pelo combate, foi durante a Segunda Guerra Mundial que mudou também a forma como se faziam as previsões climáticas.

Mais confiável do que a dor no ciático da sua tia

Até a primeira metade do século XX, a única maneira de ter uma ideia de como seria o clima naquele dia era dar a famosa olhadinha pela janela antes de sair, mas isso não era muito útil se você precisava arrumar uma mala leve para a viagem do dia seguinte.

Não poder prever esse tipo de coisa era algo que realmente incomodava o curioso físico e matemático Lewis Fry Richardson.

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Na esteira de cientistas que já estavam com essa mesma missão, como o meteorologista norueguês Vilhelm Bjerknes e o historiador Frederik Nebeker, Richardson se debruçou sobre uma infinidade de equações, gráficos e números, combinando tudo isso com fatores ambientais, geológicos e outras variáveis, e, quando estava chegando a uma fórmula que considerava convincente, chegou sua cartinha de convocação para os campos de batalha.

O mais impressionante na história de Richardson é que ele não largou a pesquisa por conta da farda. Durante a atuação no front, ele continuou sua pesquisa, coletando dados climáticos da Europa inteira e, em pleno front, publicou sua primeira previsão do tempo — que saiu não apenas atrasada, mas também totalmente equivocada.

Nem todo mundo acerta de primeira, não é mesmo? E o que ele estava fazendo era extremamente inovador!

Na verdade, anos depois se percebeu que não era o modelo de Richardson que estava errado. Segundo Peter Lynch, do Serviço Meteorológico Irlandês, a conta até que fechava, mas os dados que o físico estava usando eram um pouco distorcidos devido à pobreza da tecnologia usada para coletá-los!

Outro ponto que influenciou no fracasso dessa primeira experiência foi a pouca compreensão que se tinha da turbulência. Depois, descobriu-se que os giros ocasionados pela turbulência nos primeiros 2 km de atmosfera transportam o calor e a umidade para cima e para baixo e possuem uma grande influência sobre o clima, e isso também faltou na conta de Richardson.

A verdade é que, se ele não tivesse ido para a Guerra, talvez os cálculos do matemático tivessem seguido uma infinidade de outros caminhos e nunca alcançado esses resultados. No entanto, é provável que, com tanta tecnologia desenvolvida depois, se não fosse o próprio, outra pessoa teria chegado às mesmas conclusões.