Se você não conhece a história, pode achar que estamos ficando loucos. A atração turística mais famosa de Lucerna, na Suíça, é a escultura de um leão ferido, colocada dentro de uma abertura escavada no paredão de uma antiga pedreira de arenito.

A homenagem foi construída honrando os Guardas Suíços que perderam a vida durante a Revolução Francesa, enquanto defendiam o Palácio das Tulherias, em 1792. O animal simboliza a coragem dos soldados, que preferiram morrer a abandonar seu juramento de serviço.

A história é muito valorosa, mas onde o porco se encaixa? Apesar do grande número de visitantes, poucos percebem a existência dos dois animais no monumento.

Tradição da Guarda Suíça

Reconhecidos pela sua lealdade, mercenários suíços possuíam tradição em servir governos estrangeiros. Eles foram requisitados de forma extensiva pela França e pela Espanha no período entre a Idade Média e a Revolução Industrial. O incidente que culminou na construção do monumento aconteceu no dia 10 de agosto de 1792, quando um grupo de trabalhadores atacou o palácio, matando todos os guardas enquanto a família real fugia pelos jardins.

A época não era das mais tranquilas, e os que não morreram durante o confronto, ou pelos ferimentos adquiridos nele, acabaram como vítimas dos diversos massacres que ocorreram em setembro daquele ano. Por sorte, o segundo tenente Carl Pfyffer von Altishofen estava de folga na data, mas o fato não saiu de seus pensamentos.

Quando seu regimento foi dissolvido, em 1801, ele voltou para Lucerna e deu início aos planos para a construção de um monumento em homenagem a seus companheiros. Era o mínimo que ele podia fazer por ter sobrevivido ao massacre. A Suíça estava sob domínio da França na época, então tudo precisou ser feito de forma sigilosa, pois uma estátua em homenagem aos defensores da monarquia não seria vista com bons olhos. Após a independência da Suíça, em 1815, os planos começaram a ser executados.

Nunca provoque seu escultor

Pela magnitude da homenagem, Pfyffer procurou o famoso escultor dinamarquês Bertel Thorvaldsen. Apesar da divulgação do projeto, com o intuito de arrecadar fundos, o antigo tenente não obteve o dinheiro suficiente para pagar o artista de qualidade. Mesmo assim, ele conseguiu convencer Thorvaldsen a iniciar os trabalhos, mantendo em segredo o fato de que não possuía recursos suficientes para o pagamento.

Durante o período da entrega da escultura, a relação entre os dois começou a se deteriorar, pois o artista acabou atrasando. Apesar disso, quando Thorvaldsen soube que não receberia o valor integral pelo trabalho, decidiu realizar pequenas modificações de última hora no projeto.

A escultura se manteve intacta, em respeito aos homens que morreram em combate, com o leão empalado por uma lança. Uma das patas do animal cobre um escudo com a flor-de-lis da monarquia francesa, enquanto outro escudo ao lado mostra o brasão de armas suíço. Como forma de demonstrar sua insatisfação com o mau pagador, ele alterou o formato da abertura que acomodaria o leão, deixando-a com o contorno de um porco. Agora que você viu, provavelmente só vai conseguir reparar nisso.

Durante a execução da abertura, o escultor suíço Pankraz Eggenschwyler caiu do andaime e morreu; na sequência, foi substituído pelo alemão Lucas Ahorn, que finalizou o monumento somente em 1821. Aparentemente, ninguém suspeitou do formato inusitado da abertura até que ela estivesse pronta, mas agora é possível ver com clareza o que um artista pode fazer caso não seja pago da forma combinada.

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