Em dezembro de 2018, o mundo parou em choque após o tsunami causado pela erupção do vulcão Anak Krakatoa, responsável pela morte de mais de 370 pessoas na Indonésia. Apesar da violência e do poder do Anak Krakatoa, ele é “apenas” um dos filhos do antigo Krakatoa, que entrou em erupção no dia 26 de agosto de 1883. O antigo vulcão foi o responsável pela segunda erupção mais letal da história, considerado 13 vezes mais intenso do que a bomba atômica de Hiroshima, ele deixou 36 mil mortos. Além disso, causou o ruído mais alto registrado na história, podendo ser ouvido a 4,8 mil quilômetros, o que representa quase a distância entre Porto Alegre, capital gaúcha e Caracas, capital venezuelana.

A erupção, que aconteceu há 126 anos, mudou toda a geografia local, baixou a temperatura global e deixou a Terra “às escuras” por 18 meses, enquanto o nascer e o pôr do Sol permaneciam afetados pelo estrago feito pelo vulcão. Toda a vida do planeta foi alterada pelo Krakatoa e até hoje as consequências são sentidas e estudadas, afinal, ele deixou “filhos”.

A ilha com 882 metros de altitude literalmente explodiu e desapareceu, formando três pequenas ilhas. A maior delas tem uma formação rochosa que continua crescendo e é de lá que vem o perigo, perigo esse que foi responsável pelo tsunami de dois anos atrás: Anak Krakatoa – filho de Krakatoa, na tradução. Ele já possui 324 metros de altura e ganha mais cinco a cada ano que passa.

Se o antigo Krakatoa, o pai, já era destrutivo, cientistas afirmam que essa nova formação poder ser muito mais poderosa. A caldeira do Anak Krakaroa chega a 50 quilômetros subterrâneos, tornando-se um gigantesco depósito de lava.

O vulcão é extremamente ativo e é impossível saber quando ele pode entrar em erupção crítica. O que se sabe é que, se acontecer, não deve ficar muita gente para contar a história. A estimativa é de que se o Anak Krakatoa atingir o tamanho do pai e chegar a provocar uma erupção como a de 1883, a possibilidade de boa parte da população mundial, fauna e flora morrerem é muito grande.

Krakatoa mudou a Terra e pode ter deixado um herdeiro ainda mais destrutivo

O Krakatoa pai “enganou” todo mundo. Segundo o Programa Global de Vulcanismo do Instituto Smithsonian, pensava-se que o vulcão estivesse extinto, mesmo com sua caldeira de magma de 16 quilômetros de diâmetro e, quando ele explodiu naquele 26 de agosto de 1883, literalmente cuspiu lava e pedra durante um dia, deixando mais de 36 mil mortos. Embora aquele tenha sido o dia fatal, durante quase todo o ano foram sentidas outras pequenas explosões.

Naquele dia, que mudou a Terra, pedras foram atiradas a 27 km de altitude, e a 5 mil quilômetros de distância, na Ilha de Rodrigues, foram ouvidos os sons da última grande explosão. O barulho chegou ainda até a Austrália, Filipinas e Índia. Assim como aconteceu em dezembro de 2018, com a erupção do Anak Krakatoa, há 126 anos, a maioria das vítimas morreu por causa do tsunami que se formou com a explosão, embora a erupção tenha destruído mais de metade da ilha.

As ondas provocadas pelo vulcão pai chegaram a 40 metros de altura, com o poder de atravessar o Oceano Índico, passar pelo Pacífico e chegar até a costa oeste dos Estados Unidos e da América do Sul.

Liverpool, na Inglaterra, territórios africanos e Canadá puderam sentir as ondas do tsunami e corpos das vítimas apareceram em Zanzibar, na Tanzânia.

O vulcão Krakatoa mudou a Terra, os efeitos atmosféricos causados pelos gases e partículas cuspidos por ele foram capazes de diversas alterações, afirmam cientistas. Além de baixar a temperatura global, e alterar por 18 meses o nascer e o pôr do sol, o Krakatoa destruiu todas as formas de vida animal e vegetal da ilha.

As consequências do vulcão pai continuam a ser estudadas até hoje e é possível que a pior delas tenha sido deixar um “herdeiro” que pode ser ainda mais poderoso e destruidor.