O documento 4/2020, assinado pelo secretário de Educação, Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu, ordenou o recolhimento, nas escolas estaduais de Rondônia, de mais de 40 livros paradidáticos, dentre eles clássicos da literatura brasileira como obras de Machado de Assis, Lima Barreto, Rubem Fonseca e Nelson Rodrigues. A justificativa para o ato seria o conteúdo da lista de obras que, segundo o secretário, continham "conteúdos inadequados às crianças e adolescentes".

A ação, profundamente questionada por parte da população brasileira e gerando um enorme descontentamento pelo cartáter de censura, foi tomada logo após uma denúncia anônima que acusou as obras de conterem palavrões e termos inadequados. Apesar do documento ter vazado nas redes sociais e nos principais portais de notícias e do secretário confirmar a existência do memorando e da lista de obras, Suamy Vivecananda acusou o texto de ser apenas um "rascunho" não expedido e reforçou não concordar com o teor do memorando.

"Todos os livros de Rubem Alves devem ser recolhidos", era um dos termos contidos na listagem das obras a ser recolhidas, sobrando até para Edgar Allan Poe. Veja abaixo os documentos oficiais.

https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2020/02/06/documento-da-secretaria-de-educacao-de-ro-manda-recolher-de-escolas-macunaima-e-mais-42-livros-secretario-diz-ser-rascunho.ghtml
(Fonte: Reprodução)
https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2020/02/06/documento-da-secretaria-de-educacao-de-ro-manda-recolher-de-escolas-macunaima-e-mais-42-livros-secretario-diz-ser-rascunho.ghtml
(Fonte: Reprodução)

Após o acesso global ao documento repercutir, a pasta oficial passou a ser considerada como sigilosa pela Seduc de Rondônia.

Reviravolta na história: os livros não serão mais recolhidos

Porém, foi após a declaração de que o documento seria "fake news" que o secretário se complicou. Com a busca por respostas sobre o documento intensificando-se, diversos protestos e notas populares sobre o caso surgindo, o mandatário passou a ser questionado por diversos veículos de imprensa e, respondendo à Folha de São Paulo, afirmou que não estava na secretaria durante a semana e que desconhecia a iniciativa, garantindo que as obras não serão recolhidas.

O caso ganhou contornos maiores quando um áudio atribuído à gerente de Educação Básica Rosane Seitz Magalhães confirmou que a ordem de apreensão dos livros era, de fato, real, e um "pedido do nosso secretário".

Em nota oficial, o Procurador da República Raphael Bevilaqua informou que "serão tomadas todas as medidas necessárias para investigar o vazamento das informações internas equivocadamente documentadas", garantindo que o caso será apurado e as devidas medidas administrativas serão tomadas.