Podemos tentar controlar nosso destino, mas nunca saberemos como vai ser o dia de amanhã. A idealização, a construção e a história do El Helicoide, ou Helix, mostram bem como isso funciona. A edificação fica em Caracas, na Venezuela, e utilizou uma pequena colina como base natural para seu formato inusitado.

Projetado nos anos 1950, pelos arquitetos Pedro Neuberger, Dirk Bornhorst e Jorge Romero Gutiérrez, a estrutura é um dos maiores símbolos do movimento modernista venezuelano.

Começo de tudo

O projeto inicial previa a construção de um shopping drive thru, onde todas as lojas ficariam em uma longa rampa com 4 quilômetros de comprimento. Os carros poderiam descer e subir por ela, bem como estacionar em frente aos locais que quisessem visitar. A edificação era ambiciosa, com espaço para 300 lojas, que existiriam junto com um hotel 5 estrelas, sete salas de cinema, galerias para exposições, academia, piscina, pista de boliche, creche e muito mais.

O processo de construção foi iniciado no governo do ditador venezuelano Marcos Pérez Giménez, mas antes da conclusão, em 1961, sua gestão entrou em colapso, e os recursos financeiros se tornaram escassos. Como a construção era um símbolo do governo de Pérez, os sucessores optaram por deixar a obra paralisada após sua saída do poder. Em 1975, após um longo processo de falência da construtora, o prédio se tornou propriedade do governo.

Abandono e invasão

O futuro shopping foi construído em uma região cercada de favelas, e não demorou muito para que a edificação fosse invadida. O processo se iniciou em 1979, com um deslizamento de terra que ocorreu na região. Os desabrigados utilizaram a estrutura inacabada como residência, e outros os seguiram; em 3 anos, mais de 10 mil pessoas moravam no local.

Em 1982, aconteceu uma desocupação, com o plano de transformar o local em um museu de história e antropologia. A ideia não conseguiu ser concretizada e, em vez disso, dois anos depois o prédio foi tomado pela inteligência da polícia venezuelana, que o transformou em sua base de operações. As áreas que um dia foram imaginadas como lojas se tornaram celas para presos que eram interrogados e torturados.

Vicente Lecuna, professor da Universidade Central da Venezuela, considera o edifício uma grande contradição: “um local que buscava ser o símbolo do livre comércio nos anos 1960 acabou se tornando uma prisão com presos políticos”.

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