O último Natal foi de bastante comemoração para o australiano Russell O’Grady, de 50 anos: além dos festejos tradicionais, este seria o primeiro ano que O’Grady passaria como aposentado. Ele foi uma das 100 primeiras pessoas da Austrália a ter um emprego formal e regular sendo portador da Síndrome de Down. O agora aposentado abriu portas para toda uma mudança nas leis e nos costumes do país.

O’Grady ingressou no McDonald’s local em 1986, colocando na boca do povo a pauta da inserção de pessoas com deficiências moderadas no mercado de trabalho. Nesses 32 anos de trabalho, ele trouxe orgulho à sua família e foi um exemplo para pessoas de todo o país, ao mostrar o potencial de trabalho que existe na sociedade se permitirmos que certos tabus sejam deixados no passado.

Russell O'Grady em 1986 e em 2018: ele se aposentou no começo de dezembro, após mais de 32 anos de trabalho

O McDonald’s foi o pioneiro a abrir as portas a pessoas com diferentes limitações, através de um programa de inserção em meados dos anos 1980 em toda a Austrália. Antes disso, era praticamente certo que pessoas como O’Grady teriam passado a vida sentadas no sofá assistindo à televisão. Com o incentivo, o australiano com deficiência pôde ter uma vida bastante saudável e ativa – O’Grady adora visitar um pubzinho para conversar com os vizinhos de seu bairro.

Entre seus colegas de trabalho, O’Grady era visto como uma pessoa adorável, sendo admirado por todos. Sem dúvida, passar 32 anos em um ambiente de acolhimento é algo bastante significativo.

Já no Brasil, a legislação permite e incentiva a contratação de portadores de Down. De acordo com o Ministério do Trabalho, em 2015 existiam pouco mais de 32 mil pessoas que nasceram com a síndrome trabalhando formalmente em todo o país. Ainda assim, algumas vagas de cotas para portadores da síndrome em cursos profissionalizantes não são preenchidas por falta de incentivo para que a inserção ocorra com maior velocidade.

Russell O'Grady ao comemorar 30 anos trabalhando no McDonald's