A maioria de nós é capaz de identificar expressões de tristeza, medo, raiva, tédio e contentamento, por exemplo, nos rostos das pessoas que conhecemos – e, às vezes, até nos das que não conhecemos também. Mas pesquisadores de uma universidade norte-americana decidiram descobrir como as diferenças culturais afetam a forma como as expressões faciais são interpretadas mundo afora, assim como quantas dessas expressões são compreendidas de maneira universal.

Que carinha é essa?

De acordo com Sergio Trujillo, do site FayerWayer, o estudo, conduzido por cientistas da Universidade Estadual de Ohio, envolveu selecionar 811 palavras – em inglês – que descreviam emoções e encontrar retratos de pessoas cujas expressões faciais correspondiam aos sentimentos selecionados.

Esta imagem não foi usada no estudo e é meramente ilustrativa (Reprodução/Society for Employer Relations)

Depois, as palavras foram traduzidas para o mandarim, o russo, o espanhol e o farsi, um idioma que faz parte das línguas iranianas, e o processo de busca de retratos com expressões faciais correspondentes com as palavras foi repetido. Os pesquisadores procuraram as imagens pela internet mesmo e selecionaram rostos da Ásia, da Europa, da Austrália e das Américas – e só não usaram fotos da África por conta da pouca variedade disponível –, reunindo 7,2 milhões de opções.

Então, os cientistas jogaram esses dados todos em um computador e botaram a máquina para trabalhar. Considerando estudos anteriores, que haviam revelado que os músculos da face permitem que os nossos rostos apresentem mais de 16,6 mil variações em sua forma, os pesquisadores de Ohio esperavam que as simulações apresentassem centenas de expressões comuns entre diferentes culturas.

Contudo, surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que existem apenas 35 expressões faciais que são comuns em todo o planeta e, dessas, 17 transmitem exclusivamente sentimentos de felicidade – o que significa que os semblantes felizes são os mais universais nesse pequeno grupo de feições que todo mundo interpreta da mesma maneira.

Esta imagem não foi usada no estudo e é meramente ilustrativa (Reprodução/My Star 93.3)

E as demais expressões, como se saíram no levantamento? Só 5 delas foram reconhecidas como feições de “ira”, 4 como de “surpresa”, 3 como de “medo” e apenas 1 coincidiu com a interpretação de “desgosto”. Além disso, somente 8 das 35 expressões foram associadas a sentimentos que nutrimos pelo próximo – positivos ou negativos e diferentes dos mencionamos anteriormente –, e essas emoções ficaram restritas a apenas algumas culturas.

Assim, caro leitor, caso você entre em contato com pessoas de outras culturas, especialmente de algumas mais isoladas ou “exóticas” – comparadas às ocidentais –, é bom ter cautela, pois o sujeito pode estar expressando algo completamente diferente do que o que você “leu” em seu rosto, e isso pode colocá-lo em um baita apuro!