Na última sexta-feira (11), teve início na sala-bunker da penitenciária de Rebibbia, em Roma, o maior julgamento da história italiana contra a máfia calabresa 'Ndrangheta. Apesar da extensão do local, a sala se tornou sufocante para as centenas de réus, advogados, procuradores, magistrados e jornalistas presentes.

Trata-se de um evento épico. Estarão na cadeira dos réus 452 pessoas para serem julgadas ao mesmo tempo, desde chefões e políticos a maçons simpatizantes e empresários. Durante a primeira audiência, os juízes levaram seis horas somente para ler os nomes de todos os réus e as 438 imputações contra eles.

Coletiva de imprensa com Nicola Gratteri (Fonte: Il Quotidiano/Reprodução)Coletiva de imprensa com Nicola Gratteri (Fonte: Il Quotidiano/Reprodução)

O processo

O processo que deflagrou essa operação foi instaurado em dezembro do ano passado e envolveu a ação simultânea de 2.500 policiais, resultando na prisão de 330 pessoas em toda a Itália: prefeitos, ex-parlamentares, deputados estaduais, vereadores, empresários, policiais e chefões da máfia.

As acusações envolvem diversos ilícitos, como associação mafiosa, lavagem de dinheiro, ágio e extorsão, homicídios, ocultação de cadáver e sequestros de pessoas. Os autos de denúncia chegam a 13,5 mil páginas, nas quais a procuradoria reconstruiu a história criminal da 'Ndrangheta sediada em Vibo Valentia, província da Calábria.

O coordenador da acusação, procurador Nicola Gratteri, denuncia: "Nesse processo há um altíssimo percentual de colarinhos brancos, da chamada zona cinzenta: são muitos profissionais, homens das instituições infiéis que permitiram que essa máfia hoje tenha entrado na administração pública".

Call center que será transformado em supersala de julgamento (Fonte: Gazzetta del Sud/Reprodução)Call center que será transformado em supersala de julgamento (Fonte: Gazzetta del Sud/Reprodução)

Nova sala de julgamento será construída

Pela quantidade de réus e pelos impactos que é capaz de causar sobre a cúpula mafiosa, a atual operação tem sido comparada ao megaprocesso contra a Cosa Nostra, a máfia siciliana, que teve 475 pessoas julgadas no final da década de 1980.

Pelo gigantismo da operação, o julgamento será transferido, no final de outubro, para outra sala-bunker, desta vez com capacidade para mil pessoas. A instalação está sendo construída na cidade de Lamezia Terme, no sul da Itália.

A nova sala de julgamento de 3,3 mil metros quadrados terá capacidade para 350 réus, com 600 mesas equipadas com telefones, telas de computador e tomadas para os advogados, além de cadeiras para os jornalistas e para o público.