Michael Farmer, 40 anos, tem uma profissão nada comum: o estadunidense é um dos caçadores de meteoritos que se dedicam exclusivamente a isso. Ele anda pelo mundo buscando pedaços de rochas que vieram do espaço em uma corrida alucinante para chegar primeiro aos locais de queda, para então vender seus achados a pesquisadores, colecionadores e museus.

Em entrevista ao National Geographic News, Farmer conta como é o dia a dia de quem está nessa caça. A primeira pergunta foi a respeito do meteoro que caiu na Rússia na última sexta-feira (15). Para ele, o momento foi algo histórico que deverá ser lembrado por muitos anos exatamente por isso — o evento está atraindo centenas de pessoas ao local para a caça de pedaços do meteorito, tanto para estudo, venda ou para serem guardados como lembrança.

Farmer diz que são conhecidos mais de 100 mil meteoritos espalhados pela Terra, mas que devem ter “milhões e milhões” de fragmentos por todo o planeta. No entanto, grande parte disso está em locais de difícil acesso ou até mesmo no fundo do mar, o que torna impossível a exploração.

Fonte da imagem: Reprodução/National Geographic News

O caçador de meteoritos diz que decidiu seguir essa carreira após ter comprado um pedaço de meteoro em sua cidade natal, Tucson, Arizona. Ele ficou obcecado pelo objeto vindo do espaço, então resolveu que iria percorrer o mundo em busca de novos fragmentos. Ele diz que existem milhares de pessoas que usam o tempo livre para a busca, mas apenas cerca de 20 pessoas atualmente fazem disso uma profissão.

A aventura fez com que Farmer já tenha cruzado mais de 70 países, além de contabilizar mais de 50 viagens ao continente africano. O caçador diz que lá é um dos melhores campos para exploração dos fragmentos. Ele cita o deserto do Saara como um dos ambientes mais propícios para recolher pedaços de meteoritos: seu terreno torna a busca e identificação mais simples, além de manter o conteúdo sempre bem preservado.

Fonte da imagem: Michael Farmer/Meteorite Hunter

Michael Farmer ainda conta que, em grande parte dos locais distantes que ele visita, um dos maiores desafios é ter a ajuda de moradores locais para a exploração. Na África, por exemplo, ele diz que em grande parte das comunidades as pessoas não entendem exatamente o que está acontecendo e a maioria não se importa muito com a queda do meteoro.

Entre vários apuros, Farmer já foi inclusive preso, acusado de mineração ilegal. No mesmo ano, em uma exploração no Quênia, ele foi roubado e quase morto. Mas tanto esforço vale a pena: entre todas as buscas, o caçador diz que o fragmento mais caro que ele já vendeu foi por cerca de US$ 100 mil, ou R$ 200 mil.