O vídeo que você está prestes a assistir mostra uma manivela girando e girando sem parar no interior da Estação Espacial Internacional. Até aí, tudo bem. Afinal, como se trata de um ambiente com microgravidade apenas, ao ser “desrosqueada” e não ter como cair, ela continua rodopiando. No entanto, veja o clipe e repare que algo mais acontece com a peça:

Você notou que a manivela, além de girar, também muda de direção sozinha? O que será que está acontecendo? Estaria a Estação Espacial Internacional tomada por fantasmas? Bem, de acordo com as informações que acompanham o filme, essas mudanças de sentido que vemos nada mais são do que um estado de biestabilidade provocado por momentos intermediários de inércia.

Isso ocorre porque a maior inércia está no plano perpendicular ao eixo de rotação, já que a maior concentração de massa não se encontra no cabo da manivela, mas sim na “maçaneta”. Se ela estivesse girando exclusivamente sobre esse eixo, ela ficaria sempre dirigida para o mesmo ponto.

Contudo, como a manivela não está completamente equilibrada, em dado momento a peça muda para a direção do eixo de rotação, pois existe um pequeno giro transversal ao eixo. Além disso, é a alta rotação sobre o eixo que determina a rápida mudança de sentido.

Aliás, essa inversão ocorre quando a manivela começa a perder estabilidade, e isso acontece para que a peça possa manter o plano de giro. Agora, veja outro exemplo de coisas malucas que acontecem no espaço:

No caso desse segundo vídeo que você acabou de ver, o astronauta Don Pettit cria plataformas giroscópicas a partir de reprodutores de CDs. Segundo explicou, o disco rodando no interior do aparelho oferece uma respeitável quantidade de estabilidade giroscópica que ajuda a evitar que o dispositivo saia girando — sobre seu centro de gravidade — pela Estação Espacial.

Depois, Don prende dois reprodutores com fita adesiva para ver o que acontece e, assim como no experimento anterior, quando os dispositivos estão desligados, não existe estabilidade — e eles giram pelo ambiente quando são empurrados pelo astronauta. Contudo, ao ligar os dispositivos, os CDs rodando no interior dos dispositivos oferecem estabilidade ao sistema.

Por último, Don acrescenta um terceiro reprodutor e, novamente, o trio gira sobre seu centro de gravidade ao ser empurrado, voltando a ganhar estabilidade quando os aparelhos são ligados e os CDs começam a rodar. Por certo, caso você tenha ficado curioso em saber se algum estilo musical específico — como o heavy metal, por exemplo — pode oferecer estabilidade extra à plataforma, o astronauta disse que não.