Você já tinha visto a imagem acima antes? Ela foi clicada pelo fotógrafo norte-americano Eddie Adams no dia 1º de fevereiro de 1968, enquanto ele se encontrava em Saigon, no Vietnã, a serviço da Associated Press para cobrir a guerra que se desenrolava no país. Mais precisamente, ele estava na cidade para acompanhar os desdobramentos da Ofensiva do Tet, uma série de ataques liderados pelo Exército do Povo do Vietnã e pela Frente Nacional para a Libertação do Vietnã contra forças norte-americanas e sul-vietnamitas.

Pois enquanto registrava a tensão, Adams se deparou com o General Nguyen Ngoc Loan, que também era chefe da polícia nacional vietnamita, ao lado de um homem algemado. Esse sujeito, de aparência frágil e corpo franzino, era Nguyen Van Lém, membro da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã e comandante de um grupo que teria sido responsável pelo assassinato de dezenas de pessoas só naquele dia, incluindo os familiares de vários oficiais de polícia.

Sequência dramática

De acordo com fontes sul-vietnamitas, Lém comandava um esquadrão da morte e, naquele dia, o alvo do grupo eram os policiais ou, na impossibilidade de matá-los, suas famílias. O chefe do bando teria sido capturado no local onde se havia criado uma vala comum que continha os corpos de familiares de diversos oficiais, e Adams, que estava por ali, pensou que o prisioneiro estava sendo levado para um interrogatório. Confira na sequência a seguir:

Segundo o fotógrafo, enquanto ele mantinha o olho no visor de sua máquina fotográfica e seu dedo ocupado no disparador, ele viu Loan se aproximar de Lém e apontar seu .38 contra a cabeça do prisioneiro. Adam revelou que, naquele momento, pensou que o chefe de polícia estava tentando ameaçar o guerrilheiro, mas, em vez disso, ele simplesmente puxou o gatilho e executou o homem bem ali, diante de sua câmera. Veja:

Execução icônica

Então, Loan se aproximou do fotógrafo, simplesmente disse que os integrantes do grupo de Lém haviam matado muitos de seus homens e muitos norte-americanos também e continuou caminhando. A imagem rendeu a Adam um Prêmio Pulitzer no ano seguinte, mas, conforme confessou, ele acredita que, em realidade, as vidas de duas pessoas foram destruídas naquele dia: a do guerrilheiro e a do chefe de polícia.

Consequências

Anos mais tarde, Adam disse que Loan matou Lém com um tiro, mas que ele, o fotógrafo, acabou matando o chefe de polícia com sua câmera. De acordo com o norte-americano durante uma entrevista à Time, “Fotografias são as armas mais poderosas do mundo. As pessoas acreditam nelas; mas as fotografias mentem, mesmo sem manipulação. Elas são meias-verdades... O que a fotografia não disse foi, ‘O que você faria se estivesse no lugar do general naquele momento e lugar em um dia quente e pegasse um chamado ‘cara mau’ depois de ele explodir um, dois ou três americanos?”.

O fotógrafo confessou que a famosa fotografia afetou profundamente a vida do vietnamita. Loan jamais o culpou de nada, e inclusive disse que se Adam não tivesse clicado a imagem, outra pessoa teria. Entretanto, ela assombrou o general e sua família durante décadas.

Loan depois da guerra

Meses depois de a fotografia ser capturada, Loan foi gravemente ferido e teve uma das pernas amputadas. Entretanto, como a imagem havia se tornado famosa — e feito dele um vilão —, ao final da guerra, ele chegou a ter tratamento negado por um hospital na Austrália. Por fim, o general foi levado aos Estados Unidos, mas não foi muito bem recebido por lá também, e inclusive circulou uma campanha pedindo a sua deportação.

O vietnamita acabou abrindo uma pizzaria em Washington chamada “Les Trois Continents”, mas foi forçado a fechar o negócio depois de ser reconhecido. Curiosamente, de acordo com o Artigo 4 da Terceira Convenção de Genebra, de 1949, a execução levada a cabo por Loan não foi ilegal. Ele faleceu em 1998, aos 67 anos de idade, em decorrência de um câncer, e Adam declarou na ocasião que o general havia sido um herói que combateu a guerra americana por seu povo, e que era uma pena que ele partisse sem que as pessoas soubessem nada sobre ele.

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