Sinal vermelho para parar, amarelo para ter precaução e verde para ir. É muito difícil para alguém hoje olhar para um semáforo e não saber o que as cores representam, mas quem pensou em organizá-las dessa forma e quem estabeleceu o significado delas?

O vermelho é usado como um sinal de perigo há muito tempo, com registros do uso da cor por legiões romanas há mais de 2 mil anos. Porém, o seu uso como sinal luminoso começou em meados de 1830 no sistema ferroviário inglês, mas de um jeito um pouco diferente: enquanto o vermelho já servia para indicar que os maquinistas deveriam parar, o verde era utilizado para sinalizar precaução e uma lâmpada branca é que sinalizava que o trem estava liberado para seguir.

Esse sistema só tinha um problema, reforçado por volta de 1914: a lente vermelha de um dos sinais caiu, deixando exposta somente a lâmpada. Sem saber do que se tratava e interpretando que branco significava "liberado", um maquinista causou um trágico acidente ao colidir com outro trem. As ferrovias aboliram o branco de uma vez por todas, e foi aí que a configuração que conhecemos hoje passou a ser utilizada, com o verde indicando a liberação, e o amarelo – por ser bem diferente das outras duas cores – sendo utilizado para sinalizar precaução.

Ainda no século 19, o trânsito de cavalos e carruagens nas ruas de Londres começava a representar um perigo para os pedestres, e foi aí que um engenheiro ferroviário chamado John Peake Knight resolveu dar a ideia de adaptar o sistema das ferrovias para as ruas: enquanto de dia os semáforos – manuseados por um policial – mostravam placas para orientar o tráfego, durante a noite elas emitiam os sinais luminosos.

O único problema desse sistema é que as lâmpadas eram alimentadas por gás, e um dia uma delas acabou explodindo e machucando o policial que a operava. Na falta de uma alternativa mais segura, o governo londrino resolveu suspender os semáforos até que a versão alimentada por eletricidade se tornasse disponível.

Nos idos de 1910, já nos Estados Unidos, o tráfego era controlado por policiais que ficavam no centro dos cruzamentos mais movimentados, em cima de plataformas que permitiam que pudessem ter uma melhor visibilidade. Os oficiais faziam movimentos com os braços para orientar o trânsito – alguns até utilizavam luzes verdes e vermelhas –, enquanto apitavam para indicar a mudança de sinal.

O auxílio humano para orientação só foi deixado de lado no início da década de 20, quando os primeiros semáforos sequenciais de três cores foram implantados em Detroit, nos Estados Unidos.

Mas e os daltônicos? As cores não foram pensadas para eles também? Bom, a maioria das pessoas que sofre com a deficiência que prejudica a percepção das cores na verdade consegue distinguir a verde-clara da vermelha-clara. Para aqueles que não conseguem, o padrão adotado pela maioria dos países permite que essas pessoas identifiquem os sinais pelas suas posições: vermelho no topo e verde embaixo.