É hora de voltar ao passado e imaginar como seria sua vida cerca de mil anos atrás. Na Inglaterra, o período dos castelos começou a partir do ano 1066, fortalecendo o feudalismo.  Na escola, aprendemos que esse foi um sistema em que a nobreza possuía um pedaço de terra cedida pelo rei e tinha sua própria criadagem (os vassalos).

Normalmente, esses senhores feudais construíam um castelo, onde seus servos podiam plantar e criar animais. Também havia o clero, que “ditava as regras” do palácio através da doutrinação católica.

Mas e na prática? Como era viver em um castelo medieval? Quais eram as rotinas de cada classe social? Como funcionava a distribuição dos serviços? Então se prepare para uma viagem no tempo com o Mega Curioso!

Castelo Esterlina, na Escócia

Castelo: estrutura básica

Vamos começar pelo básico, ou seja, pela estrutura-padrão de um castelo. Essas partes podem variar, mas normalmente todo castelo possuía os seguintes componentes:

  • Fosso: poucos eram os castelos com um “fosso” natural, por isso era necessário construí-lo manualmente. Nesses casos, como a água ficava parada e o esgoto era lançado em suas águas, você já pode imaginar o cheirinho, não é mesmo?
  • Cozinha: o tamanho da cozinha do castelo era proporcional à sua importância na região. Ela mantinha um burburinho frenético de servos preparando as refeições para toda a galera.
  • Padaria: além da cozinha, era extremamente comum que os castelos tivessem uma padaria, que produzia o alimento básico dos habitantes. Anexo à padaria, a maioria dos castelos tinha sua própria cervejaria – e a bebida era tão importante na Idade Média que a nobreza colocava uma mulher de confiança para gerir a produção.
  • Torres: as torres redondas eram um ponto fundamental para a defesa do castelo, já que elas eram mais seguras do que formatos quadrados. Por ficarem no alto, davam uma visão ampla da região e podiam abrigar os arqueiros do exército.
  • Estábulo: os cavalos serviam como meio de transporte e de comunicação, além de serem fundamentais em batalhas. Por isso, todo senhor feudal precisava ter um elevado número desses animais e um lugar próprio para o seu cuidado.
  • Portão: de nada adiantam um fosso largo e torres altas se a porta principal do castelo fosse de fácil transição. Por isso, a maioria dos castelos apostava em elaborados portões, com inúmeras portas e por vezes até mesmo a famosa ponte levadiça.
  • Barbacã: nada mais nada menos que um muro para proteger a muralha! Era mais baixo que fortificação principal e lá ficavam os primeiros defensores do palácio.
  • Pátios internos: as principais festividades aconteciam nessas áreas, que tinham grande circulação de pessoas, mas eram livres de animais como porcos e cavalos, que se alimentavam no átrio externo.
  • O Grande Salão: o lugar mais requintado de todo castelo, onde aconteciam banquetes para a nobreza e seus visitantes.
  • Capela e casa paroquial: lugar sagrado de todo castelo, era nas capelas que ficavam o clero que doutrinava a religião católica para todos os habitantes do lugar.

Estrutura básica de um castelo medieval

Quantas pessoas moravam no castelo?

Para começo de conversa, é bom saber quem eram os habitantes de cada castelo. Além do senhor feudal com sua esposa e seus filhos, cerca de 100 a 150 criados moravam nas dependências da fortificação.

Os dados são do site Exploring Castles, com estimativa baseada no castelo de Goodrich, a 220 quilômetros de Londres. Entre os serviçais, encontravam-se cozinheiros, jardineiros, tratadores de cavalos, comerciantes, tecelões, soldados, escudeiros, cavaleiros, carpinteiros e tesoureiros. Já imaginou qual seria sua função dentro dessa estrutura toda?

Além dos senhores feudais, inúmeras pessoas circulavam pelas estruturas de um castelo

Senhor e senhora feudal: os “reis” do castelo

O Lorde e a Lady eram os maiorais na hierarquia medieval. Eram eles que faziam a engrenagem do castelo funcionar. Porém, os senhores feudais viviam viajando – normalmente a grandes centros, como Londres, onde discutiam estratégias militares e demais questões políticas.

Na ausência do “mandachuva”, o castelo ficava mais calmo. Sua esposa tomava as rédeas da situação e fazia com que tudo seguisse no seu fluxo diário. Ela e o marido eram os únicos a ter um quarto privativo no castelo – e normalmente ele ficava em alguma das torres. A própria Lady tinha um quarto só dela. Já conseguiu imaginar um closet privativo só para você?

A Lady possuía um quarto só para ela em um lugar alto do castelo

Serviçais: uma vida sem privacidade

Já para o resto dos habitantes do castelo, a vida não era nenhum mar de rosas. Apesar da aparente organicidade do local, quase ninguém além dos senhores feudais possuíam algum tipo de privacidade.

Alguns dos habitantes moravam em vilas fora do castelo. Eram cabanas feitas de pau a pique, com telhado de sapé e raramente havia janelas. Os animais dos vassalos também ficavam dentro da rústica construção!

Na pirâmide feudal, os serviçais ocupavam a base da hierarquia

Conforto? Que nada!

Um dos principais problemas na vida medieval era o frio. Como os castelos eram inicialmente feitos apenas de pedra, eram incrivelmente gelados. Além disso, eram escuros, já que as janelas precisavam ser pequenas para não comprometer a estrutura da parede.

Só alguns séculos após o início da Idade Média foi que começaram a instalar lareiras nos ambientes, para dar um conforto maior aos moradores do castelo. Também nessa época, as técnicas de construção se aprimoraram, podendo criar janelas um pouco maiores, que facilitavam a entrada de luz e calor.

Com janelas pequenas e construções em pedra, os castelos eram muito frios por dentro

Água e comida

As refeições eram um trabalho à parte. Normalmente, muita carne era consumida nos castelos – e tinha para todos os gostos! Cisnes, pavões, javalis e porcos eram comuns de serem encontrados à mesa das pessoas. Eles comiam as carnes com diversos pães e usavam as próprias mãos como “talheres”. Também era muito comum o consumo de vegetais frescos.

Já a água era servida em pontos específicos do castelo. Normalmente, uma cisterna era colocada em algum ponto mais alto com tubulações levando a água limpa para os andares inferiores.

Além disso, os castelos também tinham poços

O banheiro

Chegamos a um dos principais pontos de dificuldade de se viver em um castelo: usar o banheiro. Hoje em dia temos latrina, sistemas de esgoto, descarga, papel higiênico e toda uma leva de facilidades para fazermos o número “1” ou o número “2” com traquilidade. Na época, entretanto, isso era bem diferente.

Não havia muita privacidade na hora de ir ao banheiro

Para começo de conversa, até então não se sabia da ligação entre uma estrutura básica de saneamento e a saúde. Ou seja, o povo não estava nem aí para seus próprios dejetos! Eles faziam suas necessidades em buracos que caíam no chão ao lado do castelo ou até mesmo no fosso que o circundava. Como ele tinha água parada, o mau-cheiro era gigantesco!

Outro detalhe: nessa época, as privadas não eram nada “privadas”, ou seja, todo mundo podia assistir a você fazendo suas necessidades e até mesmo sentar ao seu lado durante uma “obra”. Nojento, hein?

Dejetos caíam diretamente fora do castelo

A temida masmorra

Nos escritos modernos, muitos dos autores “romantizaram” o uso da masmorra. Entretanto, a maioria dos castelos sequer tinha esse cômodo para manter seus prisioneiros. Naquela época, não era muito comum castigar alguém com o seu aprisionamento.

Com o passar dos tempos, entendeu-se que poderia ser bem “interessante” ao senhor feudal manter prisioneiros em sua propriedade. Mas isso demorou muito a acontecer. Quando as masmorras surgiram, precisavam ser seguras e isoladas para manter o confinado preso.

Os senhores feudais demoraram a adotar a masmorra como uma forma de castigo

Esportes, diversão e eventos culturais

A vida no castelo pode parecer muito pacata nos dias de hoje, porém era bem agitada na época. O Grande Salão, por exemplo, reunia banquetes para a nobreza, além de espetáculos de dança, teatro e recitais de poesia! Com certeza seria um lugarzinho onde você passaria algumas horas adquirindo cultura.

Claro que sua permanência dentro do Grande Salão dependia de sua importância dentro da hierarquia do castelo. Quanto mais poder, melhor sua poltrona e sua localização. Os mais influentes tinham uma “área VIP” na cabeceira do salão.

O principal esporte praticado na época era a caça. Porém, com o passar dos anos, lutas corporais entre cavaleiros também entraram no rol de espetáculos a serem contemplados em um castelo medieval. Já para os menos “violentos”, era possível se divertir jogando gamão ou xadrez.

Duelos entre cavaleiros eram uma das formas de diversão na época

*Publicado em 14/9/2015

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