É fato que milhares de pessoas são encontradas mortas todos os dias pelo mundo. Entretanto, como você pode imaginar, infelizmente, nem todas têm familiares ou amigos por perto para reconhecer seus corpos. O problema é que os cadáveres não podem ficar por aí para sempre — e o que normalmente acontece é que eles são enterrados em valas comuns, sem muitas informações sobre os ocupantes.

Pois, em Nova York — onde cerca de mil corpos sem identificação são encontrados todos os anos — existe uma ilha chamada Hart Island, e lá funciona o Potters Field, o maior cemitério para indigentes dos EUA. O local abriga cerca de 1 milhão de mortos atualmente, o acesso é bastante restrito e é terminantemente proibido filmar e fazer fotos por lá.

No entanto, segundo Courtney Verrill, do portal Business Insider, o fotógrafo Mike Segar — da Reuters — recebeu permissão para visitar e clicar Potters Field recentemente, e a seguir você pode conferir um raro vislumbre desse lugar.

Hart Island foi adquirida pela cidade de Nova York em 1868 e fica na costa do Bronx, portanto é necessário pegar uma balsa para chegar lá.

O local abrigava uma prisão para soldados confederados, mas foi convertido em cemitério em 1869.

Os edifícios que existem na ilha serviram para várias funções ao longo dos anos, como base de mísseis, campo militar, sanatório e casa de recuperação. Hoje eles se encontram abandonados e são uma lembrança sinistra do passado.

Na verdade, quando Hart Island foi convertida em cemitério, a intenção era enterrar “estranhos” — que, depois da Guerra Civil, seriam os afro-descendentes, os imigrantes e as pessoas que morriam nos cortiços de Nova York.

Hoje em dia, o cemitério abriga os corpos que jamais foram identificados, cadáveres que foram doados para a Ciência, natimortos, sem-teto e de pessoas cujos familiares não podem pagar por um enterro comum.

Em Potters Field, existem valas comuns que medem 4,5 metros de largura por 2,5 metros de profundidade, capazes de comportar diversos ocupantes.

Quem faz os enterros são os prisioneiros da Rikers Island — onde funciona a principal cadeia de Nova York —, que recebem 50 centavos por hora para realizar o trabalho.

Boa parte das sepulturas mais antigas não possui qualquer informação sobre os ocupantes. Já as mais novas contam com códigos que permitem que referências sobre os defuntos sejam acessadas em uma base de dados.

Essas informações são mantidas online e ajudam amigos e familiares a encontrar seus entes queridos. Cerca de 40 corpos são identificados anualmente.

Até 2015, os familiares das pessoas enterradas no cemitério de Potters Field eram proibidas de ir até lá por questões de segurança, mas, após uma batalha judicial, a cidade de Nova York agora permite que sejam realizadas visitas mensais.

Entretanto, os familiares são acompanhados de perto por oficiais, e não é permitido que eles levem qualquer tipo de câmera ou celulares até a ilha.

Além disso, apesar de haver uma balsa que leva visitantes até Hart Island uma vez por mês, o acesso ao cemitério é restrito apenas a pessoas que identificaram familiares que tenham sido enterrados no local.

As famílias que têm entes queridos enterrados no cemitério moveram uma nova batalha legal para transformar Hart Island em um parque público, mas as autoridades não cederam ainda. Na galeria a seguir, você pode conferir mais registros impressionantes obtidos na ilha por fotógrafos do projeto The Hart Island Project:

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Você já tinha ouvido falar sobre a Hart Island? Conhece outros cemitérios para indigentes pelo mundo? E já que estamos no assunto de cemitérios, você sabe de necrópoles inusitadas que merecem ser visitadas? Compartilhe conosco nos comentários!