É muito provável que no passado tenha existido muita água correndo sobre Marte, e já foram encontradas diversas evidências que apoiam essa possibilidade. E, enquanto o explorador espacial Curiosity continua com a missão de vasculhar a superfície do Planeta Vermelho busca de informações sobre sua evolução, outro equipamento da NASA — a sonda MAVEN— vem se ocupando de tentar descobrir o que pode ter acontecido com a atmosfera do nosso vizinho.

Algumas descobertas realizadas pela Curiosity parecem apoiar a teoria de que há bilhões de anos existiu um vasto e profundo lago no local onde hoje se encontra a cratera Gale. Contudo, para que tanta água pudesse ter existido no Planeta Vermelho, Marte precisaria contar com uma atmosfera densa o suficiente para que o ciclo da água ocorresse — e para evitar que essa água toda evaporasse.

Cratera Gale

No entanto, basta olhar para os milhares de imagens que temos de Marte para comprovar que aquela água toda que provavelmente existiu por lá desapareceu de alguma forma. Uma das teorias é a de que isso ocorreu por que a atmosfera do planeta começou a desaparecer também, até chegar ao ponto no qual já não era densa o suficiente para evitar que a água sumisse.

Vento solar

De acordo com Nicole Gugliucci do site ars technica, a sonda espacial MAVEN (de Mars Atmosphere and Volatile Evolution), que faz parte de um projeto da NASA voltado em analisar a fina atmosfera de Marte, revelou algumas informações bem interessantes — permitindo que os cientistas possam especular sobre como Marte se tornou um planeta tão árido.

Após atravessar a ionosfera — que geralmente atua como primeira linha de defesa contra os ventos solares — do Planeta Vermelho em busca de pistas, dados coletados pela sonda revelaram que partículas carregadas oriundas do Sol atravessam não só essa camada da atmosfera marciana, mas camadas mais internas também.

E uma vez na atmosfera, essas partículas reagem com as moléculas presentes ali, ajudando-as a se libertar da ação gravitacional de Marte. Para que você entenda melhor o que pode ter ocorrido no Planet Vermelho, é mais fácil comparar com o que ocorre aqui na Terra. Nosso planeta também conta com uma ionosfera que ajuda a proteger a superfície da ação dos ventos solares, além de contar com um campo magnético para complementar a defesa.

Terra x Marte

O campo magnético terrestre — produzido pela movimentação de metais fundidos presentes sob a crosta do planeta — ajuda a transportar partículas carregadas provenientes dos ventos solares até os polos da Terra, e essa ação se manifesta na forma de auroras boreais e austrais. Contudo, não bastasse o fato de essas partículas serem capazes de penetrar a ionosfera de Marte, ao contrário da Terra, o Planeta Vermelho não conta mais com um campo magnético.

Marte já não possui um núcleo superquente como o da Terra e, portanto, o Planeta Vermelho não conta mais com um campo magnético para auxiliá-lo a se defender das partículas carregadas vindas do Sol. Além disso, ao ser menor do que o nosso planeta, Marte produz uma gravidade menos poderosa, o que também não ajudou a “segurar” a atmosfera do nosso vizinho no lugar.

É claro que todas essas teorias não passam de especulação, e a os cientistas da NASA ainda terão que avaliar muitos dados coletados pelas diversas sondas e exploradores espaciais perambulando por — e próximo a — Marte para desvendar como ocorreu o processo de evolução do planeta. Portanto, teremos que aguardar por mais novidades no futuro.