Durante o Outubro Rosa, os debates sobre o câncer de mama ficam cada vez mais comuns, felizmente; e como informação é fundamental quando o assunto é saúde, vale também esclarecer dúvidas sobre a doença, afinal muitos mitos a respeito dela são divulgados e acabam atrapalhando em vez de ajudar. Confira a seguir que mitos são esses:

1 – Quando um caroço aparece no seu seio significa que você está com câncer de mama

Na verdade, nem todo nódulo mamário é câncer. De qualquer forma, ao encontrar um ou mais nódulos na mama, especialmente se houver alguma mudança na aparência da pele da região, é preciso procurar ajuda médica para averiguar se existe algo de diferente. Essa dúvida é tirada por meio de exames de imagem, normalmente, que vão dizer se o nódulo precisa ser investigado ou não.

A saúde das mamas é algo que deve ser monitorado com frequência por meio do autoexame e de visitas anuais a um ginecologista. Depois dos 40 anos, é recomendado que as mulheres façam uma mamografia por ano. Falando sobre isso, vale comentar o vídeo que andou circulando recentemente nas redes sociais, afirmando que esse exame está relacionado com o câncer de tireoide. Isso não passa de boato – o próprio Dr. Dráuzio Varella, que teve seu nome usado indevidamente nesse material, desmentiu a afirmação.

2 – O câncer de mama é uma doença que afeta apenas mulheres

Infelizmente, a doença também pode se manifestar em homens, ainda que com uma incidência menor. Só para você ter ideia, estima-se que 2.190 homens sejam diagnosticados com câncer de mama a cada ano – desses, 410 morrerão em decorrência da doença.

Justamente por isso, é cada vez mais recomendado que homens também façam o autoexame das mamas, procurando por nódulos e, assim como as mulheres, ao perceber qualquer diferença na pele ou qualquer protuberância, o ideal é buscar ajuda médica.

Nos homens, o câncer de mama se manifesta geralmente pelo surgimento de um nódulo duro embaixo do mamilo. Como tendem a pensar que o câncer de mama é uma doença feminina, eles acabam não procurando ajuda médica, o que faz com que a doença seja muito mais mortal entre os homens do que entre as mulheres.

3 – A mamografia pode causar câncer de mama ou fazer com que o câncer já existente se espalhe

Como falamos ainda no primeiro item desta lista, a mamografia é um exame fundamental para a saúde da mulher e não está relacionada ao aparecimento de qualquer tipo de câncer nem à piora de um quadro já existente. Esse exame é um raio X da mama, que é comprimida em um aparelho – a partir dessas imagens, o diagnóstico precoce pode ser feito, acelerando o tratamento e, consequentemente, aumentando as chances de cura.

A mamografia expõe a paciente a doses baixas de radiação, e o risco envolvido é extremamente pequeno. É fundamental tirar todas as dúvidas sobre o exame e a recomendação dele com o próprio médico ginecologista.

4 – Se uma pessoa da sua família tem câncer de mama, você vai ter também

É verdade que mulheres que têm histórico de câncer de mama na família têm chances maiores de desenvolver a doença. No entanto, a maioria das mulheres diagnosticadas não tem esse histórico familiar – em termos estatísticos, 10% das pacientes com a doença têm ou tiveram outras mulheres na família com o mesmo tipo de câncer.

A recomendação para quem tem um parente de primeiro grau que teve a doença (mãe ou irmã, por exemplo), é de que se realize a mamografia 10 anos antes da idade com a qual a parente foi diagnosticada. Se sua mãe soube da doença quando tinha 40 anos, você deve fazer sua primeira mamografia aos 30 anos.

Agora se o parente que teve a doença é de segundo grau (tia ou avó, por exemplo), o risco é menor do que quando no caso de parente de primeiro grau, então o ideal é informar seu ginecologista a respeito e deixar que ele sugira o melhor momento de realizar o exame de imagem. Quando há várias gerações com diagnóstico de câncer de mama, especialmente em pessoas com menos de 50 anos, a probabilidade genética é maior, realmente. Nesse caso, avise seu médico também.

5 – O câncer de mama é contagioso

Mesmo que para a maioria de nós isso obviamente soe como um mito, ainda há quem acredite que é possível pegar o câncer ao entrar em contato com alguém com a doença. Para ficar claro, precisamos entender que o câncer de mama é uma doença provocada pelo crescimento descontrolado de células mutantes nos tecidos das mamas, e que isso não é algo contagioso.

A prevenção do câncer de mama, e de vários outros tipos da doença, pode ser feita por meio da adoção de hábitos de vida saudáveis e do monitoramento clínico, ou seja, da visita frequente ao ginecologista e da realização do autoexame. Essas práticas não garantem que a doença não se desenvolva, mas ajudam a fazer o diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura.

6 – A detecção dos genes BRCA1 e BRCA2 indicam que a pessoa vai ter o câncer de mama obrigatoriamente

A verdade é que nem todas as mulheres que carregam esses genes vão desenvolver a mutação prejudicial deles – além do mais, nem toda mutação prejudicial vai evoluir para o câncer. Em termos estatísticos, uma mulher que herdou esses genes de tem cinco vezes mais chances de desenvolver a doença em relação a uma mulher que não tem essas informações genéticas.

Atualmente, existem exames que detectam a presença desses genes e, uma vez que eles sejam identificados, a mulher pode se submeter a tratamentos de prevenção, como terapias hormonais e até mesmo a retirada das mamas, como foi o caso da atriz e ativista Angelina Jolie. Além das mamas, essas mulheres removem as trompas de falópio e os ovários.

7 – Antitranspirantes causam câncer de mama

Muitos boatos já foram espalhados relacionando o uso de produtos desodorantes para as axilas com o desenvolvimento de câncer de mama, mas a verdade é que não existe qualquer caso comprovado de que a doença tenha se manifestado por causa do uso desse tipo de produto.