Segundo dados revelados recentemente em um relatório feito pela ONU, pelo menos uma pessoa se suicida a cada 40 segundos. Devido a inúmeros tabus e estigmas, as verdadeiras causas por trás de um suicídio geralmente permanecem um mistério. Alguns procuram locais específicos para se despedir do mundo, outros deixam cartas explicando os porquês de não quererem continuar com a vida, mas, no fim, tudo o que sobra é um grande pesar.

Em um estudo liberado três semanas após o aparente suicídio do grande ator Robin Williams, a Organização Mundial da Saúde  também alertou os meios midiático que revelar os detalhes de um suicídio aumenta as chances de que outras pessoas copiem o caso – gerando assim os chamados “suicídios copycat”.

Não é brincadeira

“Todo suicídio é uma tragédia. Estima-se que mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo e que existem várias tentativas para cada morte efetiva”, informou Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, no relatório de referência que reuniu uma década de pesquisa.

“O impacto na família, nos amigos e na comunidade é devastador e inalcançável, mesmo tendo passado muito tempo desde que a pessoa querida por eles tirou sua própria vida”, completou a diretora.

Para montar a pesquisa, a Organização Mundial da Saúde – que considerou o suicídio um problema de saúde sério – estudou 172 países. Em 2012, descobriu-se que os países que possuem renda alta também têm uma taxa de suicídio um pouco maior: 12,7% a cada 100 mil pessoas, contra 11,2% em países de renda média ou baixa.

Entretanto, os países com maior população correspondem a cerca de três quartos do total mundial de suicídios. Os casos na parte sudeste da Ásia – a qual, segundo a OMS, inclui países como a Coreia do Norte, a Índia, a Indonésia e o Nepal – correspondem a um terço da taxa anual.

Por sua vez, os suicídios em países de alta renda equivalem a cerca de um quarto do total global. Em todo o mundo, os métodos mais utilizados para se matar são envenenamento por pesticidas, enforcamento e disparo de arma de fogo. Todavia, saltar de prédios é um modo bastante comum em lugares altamente urbanizados, como a Ásia.

A OMS preveniu que algumas vezes é difícil identificar um suicídio, sendo que menos da metade das nações analisadas possui valores exatos sobre as mortes. Como resultado, a organização reuniu uma grande quantidade de dados, visando assim estudar as taxas de suicídio de cada país individualmente.

As alarmantes taxas de suicídio no mundo

O país em que mais ocorrem suicídios é a Guiana (com 44,2 a cada 100 mil habitantes), seguido de perto pelas Coreias do Sul e do Norte (com 38,5 e 28,9, respectivamente). Os próximos locais no ranking são o Sri Lanka (28,8), a Lituânia (28,2), o Suriname (27,8), o Moçambique (27,4), o Nepal e a Tanzânia (com 24,9, cada), o Burundi (23,1), a Índia (21,1) e o Sudão do Sul (19,8).

Pelo mesmo caminho estão seguindo a Rússia e a Uganda (19,5), a Hungria (19,1), o Japão (18,5) e a Bielorrússia (18,3).

Em países de alta renda, os distúrbios mentais, tal como a depressão, estiveram presentes em cerca de 90% das pessoas que morreram devido ao suicídio. Em comparação, apenas 60% dos suicidas possuíam esses tipos de doenças em países como a China e a Índia, informou a OMS.

Mas como reverter o problema?

Até 2020, a Organização das Nações Unidas (ONU) pretende diminuir as taxas de suicídios em 10%. Todavia, o maior desafio enfrentado por ela é que as vítimas de suicídio em geral fazem parte dos grupos marginalizados pela população, sendo muitos deles pobres e suscetíveis às pressões sociais.

Países de baixa renda – cujo sistema de saúde já sofre para lidar com os problemas de cunho infectuoso – possuem uma dificuldade maior para detectar e ajudar as pessoas que correm o risco de se matarem.

“Suicídios são evitáveis”, informou Chan. “Esse relatório encoraja os países a continuarem com o bom trabalho onde ele já foi estabelecido e colocarem a prevenção ao suicídio como destaque na agenda, independentemente do local em que a nação se estabelece na taxa de suicídio ou nas atividades de prevenção dos casos”, concluiu.

A mídia colabora ou não?

Os especialistas acusam repetidamente os usuários das redes midiáticas e sociais por divulgarem detalhes a respeito dos suicídios, sejam eles os de celebridades como Robin Williams ou de indivíduos desconhecidos que se mataram de alguma maneira bizarra.

“A prática de divulgação midiática inapropriada pode sensacionalizar e glamourizar o ato, aumentado assim o risco de que outras pessoas o copiem”, lê-se no relatório.

“Os meios de divulgação são errôneos quando eles cobrem de forma gratuita os suicídios de celebridades, informam detalhadamente métodos poucos usuais de suicídio ou de suicídios em série, divulgam fotos ou informações sobre os objetos utilizados ou normalizam o ato como uma resposta aceitável às crises ou às adversidades”, conclui.