Verão, praia, piscina e aquele bronzeado. Muita gente é adepta de ficar da “cor do pecado” nessa época, principalmente as mulheres, mas é claro que esse visual se torna mais bonito e duradouro com o uso de protetores solares e a exposição em horários recomendados (antes das 10h e depois das 16h).

Porém, nem todo mundo segue essa regra e nem todo mundo usa protetor solar. É importante lembrar também que o protetor vale para o ano inteiro, pois estamos sempre expostos aos raios solares, que podem causar danos em longo prazo. Mas você sabia que o Sol pode danificar a sua pele até no escuro? Mas como isso acontece?

Efeito danoso

Segundo o artigo de Deborah Netburn, do Los Angeles Times, os cientistas verificaram que o efeito agressivo dos raios solares se segue mesmo horas após a exposição, danificando continuamente o DNA das células da epiderme. Ou seja, mesmo quando você está dormindo no escurinho protegido do seu quarto, os efeitos maléficos do Sol podem estar trabalhando a todo vapor em sua pele após uma exposição diária.

O estudo final sobre o assunto foi publicado na revista Science em fevereiro, e os pesquisadores disseram que um pouco mais de 50% do dano que o Sol causa no DNA das células ocorre até 3 horas após a exposição através de um processo químico que eles chamam de "caminho escuro".

"A principal lição da nossa pesquisa é que a sua pele não para de ser danificada quando você sai do Sol", disse Douglas Brash, professor de radiologia terapêutica e dermatologia na Escola de Medicina de Yale e autor sênior da pesquisa.

Como dissemos anteriormente, não é novidade que a exposição aos raios UVA e UVB afeta negativamente o DNA das células da pele. Os cientistas já sabem disso há 50 anos. Porém, a conclusão de que existe um efeito contínuo só foi verificada agora.

E isso acontece dessa forma: quando um fóton é absorvido pelo DNA, que pode fazer com que a conexão de duas das letras-base da cadeia fique fundida. Essa ação causa uma dobra não natural no DNA e torna mais difícil a sua replicação adequada.

Esse tipo de dano é chamado de dímero ciclobutano pirimidina (CPD) e acontece em 1 milionésimo de milionésimo de segundo, logo após o fóton atingir a pele. Com isso, a melanina pode se fragmentar, facilitando o desenvolvimento de câncer de pele.

O início dos estudos

Em 2011, o próprio Douglas Brash e seu colega Sanjay Premi, um pesquisador associado em radiologia terapêutica em Yale, fizeram uma descoberta surpreendente. Eles foram estudar células de pele humanas e de ratos, chamadas melanócitos, que produzem a melanina, para avaliar como elas respondiam à exposição de raios ultravioleta.

Segundo o que relataram ao LA Times, para se certificarem de que todos os equipamentos de laboratório estavam funcionando corretamente, os pesquisadores expuseram as células à luz UV e, em seguida, mediram o número de CPDs que ocorreram.

Quando eles observaram as amostras novamente, algumas horas mais tarde, achavam que a quantidade de dímeros iria baixar devido aos mecanismos de reparo em células, mas, em vez disso, o número tinha aumentado.

“Na primeira vez que fizemos isso, pensamos que era um defeito. Mas nós replicamos várias vezes, usando técnicas diferentes para confirmar que era mesmo real”, disse Premi. Com isso, eles perceberam que a exposição aos raios ultravioleta continuava a danificar o DNA mesmo depois que as luzes se apagavam e decidiram investigar o motivo.

Então, com uma série de experiências, eles descobriram que a exposição direta à luz ultravioleta faz com que os dímeros ocorram no DNA de todos os tipos de células da pele, mas apenas os melanócitos continuam a acumular esses defeitos na ausência de luz.

O problema é que esse foi outro impasse da pesquisa, pois a melanina é conhecida por proteger a pele da exposição direta ao Sol, mas agora parecia ser a principal fonte da agressão do chamado “caminho escuro”.

Por isso, eles resolveram investigar ainda mais e, depois de mais experimentos, os cientistas descobriram que a luz UV ativa as enzimas na célula que se combinam para estimular um elétron na melanina. A energia de elétrons a partir desse estímulo é transferida para o material genético, que por sua vez cria o mesmo dano causado pela absorção direta de um fóton pelo DNA.

O pesquisador Brash disse que o efeito químico similar ao "caminho escuro" tem sido visto em águas-vivas e vaga-lumes, mas nunca antes em mamíferos. Por exemplo, vaga-lumes usam a energia de elétrons estimulados para gerar a bioluminescência.

Os pesquisadores afirmam ainda que a descoberta pode levar agora ao desenvolvimento de uma forma de impedir essa agressão pós-Sol, pois os protetores atuais não são totalmente eficazes e seria necessário mais um tipo de produto para evitar o efeito.

*Publicado em 04/03/2015