Há alguns dias, nós falamos aqui no Mega a respeito da metformina, um medicamento utilizado por pessoas diabéticas e que em breve terá suas propriedades antienvelhecimento testadas. Se chegaremos ou não a ter uma expectativa de vida de 120 anos com saúde e disposição, só mesmo o tempo vai dizer, mas já é possível analisarmos mudanças em determinados setores da nossa vida: a alimentação, por exemplo, será parecida com a de hoje? Possivelmente, não.

O How We Get To Next abordou esse assunto de uma maneira muito interessante, e nós resolvemos dividir algumas considerações com você. Primeiro, vale sempre lembrar que a expectativa de vida das pessoas depende de vários fatores e que, ao longo dos últimos 200 anos, a vida humana vem ganhando dois anos a mais de perspectiva a cada década, o que já é uma ótima notícia.

De uma forma simplista, podemos dizer que estamos ganhando mais anos de vida saudável e que esse mesmo tempo vai nos ajudar a conquistar ainda mais tempo, de modo que todo esse acúmulo talvez um dia nos deixe imortais.

Para sempre

A palavra “imortal” é utilizada aqui com um significado diferente do usual, que se refere apenas a alguém ou a alguma coisa que não morre. Em termos de evolução, “imortal” é quando a nossa taxa de envelhecimento permanece constante e a taxa de expectativa de vida aumenta. Para o geriatra e biomédico Aubrey de Grey, vai chegar um ponto de desenvolvimento em tratamentos antienvelhecimento em que as pessoas se dividirão em dois grupos: as que vão morrer e as que não vão.

Já parou para pensar no que uma sociedade dividida entre mortais e imortais faria? Como esses dois grupos de seres humanos interagiriam entre si? O que a imortalidade mudaria em questões relacionadas a emprego e casamento, por exemplo? A verdade é que ainda não há suposições suficientes para essas questões relacionadas à vida em sociedade. Entretanto, já é possível saber o que os primeiros imortais comerão.

Grey ainda arrisca alguns palpites no quesito comportamental dos imortais e acredita que as pessoas do futuro assumirão menos riscos: o número de motocicletas tende a diminuir, e as pessoas possivelmente fumarão menos e, claro, terão mais critérios na hora de escolher o que colocar no prato.

Menos é mais

Ainda que seja possível encontrar todo tipo de dieta específica para quem quer viver mais, a dica que todo especialista em envelhecimento dá, quando o assunto é alimentação, é realmente simples: restringir o número de calorias, o que basicamente significa comer menos.

Testes realizados em ratos revelaram que os animais que, na juventude, ingerem 15% a menos da quantidade calórica recomendada tinham mais tempo de vida. Em termos humanos, essa diferença de tempo seria de cinco anos – a comparação, para Eric Ravussin, que se dedica a estudar a evolução da saúde humana, é mais do que verdadeira.

Nesse sentido, podemos dizer que os primeiros imortais comerão pequenas porções, mas de quê? De acordo com o explorador Dan Buettner, que acompanhou de perto os costumes de alguns povoados com grandes números de centenários, a alimentação das pessoas que vivem muito é baseada em alto consumo de vegetais, leguminosas e frutas, ingestão moderada de álcool e baixo consumo de carnes.

Fome de quê?

Ao tentar prever padrões alimentares futuros, precisamos levar em consideração o fato de que alguns itens, com o passar do tempo, ou deixarão de ser consumidos ou serão consumidos em proporções muito menores, como é o caso das carnes e dos laticínios. Acredita-se que os tradicionais hambúrgueres, por exemplo, serão consumidos apenas em ocasiões especiais em 2050, e não de forma tão popular como acontece hoje.

Com relação aos alimentos naturais, a expectativa é de que exista aumento no consumo de itens populares em regiões quentes, como é o caso do milho, do pepino, do melão, do pimentão e da abóbora. Por outro lado, folhas como alface, repolho e espinafre podem deixar de existir.

Essas mudanças estão sendo previstas já há algum tempo. Só para você ter ideia, em abril de 2014 foi publicado um relatório, encomendado pela Food Network Climate Research, que repassou algumas recomendações sobre alimentação: comer mais itens de origem vegetal; diminuir o consumo de carne; beber água da torneira; evitar gordura, açúcar e sal; e valorizar a comida, buscando saber sua origem e evitando o desperdício.

Com base em todas essas informações, o colunista Duncan Geere elaborou uma lista com os principais itens da dieta dos primeiros imortais. Confira:

  • Vegetais: além de itens baratos e frescos, são saudáveis e, em breve, serão mais populares do que nunca;
  • Leguminosas: feijão, ervilha e lentilha são itens ricos em proteínas, fibras, vitaminas e minerais e, obviamente, serão consumidos pelos imortais;
  • Pouquíssima carne: os imortais escolherão fontes alternativas de proteína e darão espaço ao tofu e à soja também. A carne como consumimos hoje contribui para aumentar nossa resistência a antibióticos, polui o meio ambiente e influi muito negativamente nas alterações climáticas;
  • Água e vinho: um pouco de vinho não faz mal a ninguém, e água é, definitivamente, a melhor maneira de manter o corpo bem hidratado.
  • Pequenas porções: vale frisar que os imortais consumirão esses itens em pequenas quantidades. É bem provável que futuramente a contagem de calorias dos alimentos seja mais popular ainda.

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